Armando Martins, Portugal e o Japão – Subsídios para a História Diplomática

Agência Geral do Ultramar, Lisboa, 1955

Em Portugal e o Japão, publicado em 1955, Armando Martins Janeira reproduz os textos de vários tratados celebrados no passado entre o Japão e países do Ocidente e fá-los anteceder do seu primeiro grande estudo sobre a história das relações históricas, económicas e culturais entre japoneses e ocidentais, especialmente os portugueses.

Janeira explica as condições em que os portugueses entraram no Japão em 1543, e como depois, em 1637, durante o período Edo, a revolta da população local de Shimabara, na sua maioria cristãos, acabou por marcar o fim de quase cem anos de catequização e comércio portugueses naquela nação, e como a Holanda conseguiu ser, desde 1609 até hoje, o único país a manter o contacto, sem interrupção, com as autoridades japonesas.

A reabertura do Japão ao Ocidente será feita pelos americanos somente em 1854. Além dos Estados Unidos, também a Inglaterra, a Rússia, a França e a Holanda assinam tratados de cooperação com o Japão. Em 1860, será a vez de Portugal assinar com o Japão o Tratado de Paz, Amizade e Comércio. Armando Martins Janeira traça todo o processo de ocidentalização do Japão a partir da restauração Meiji, que o levou, no início do séc. XX, a afirmar-se como uma grande potência no mundo.

Neste seu estudo, dividido em cinco capítulos, Janeira mostra que na lembrança dos japoneses ainda perdura a memória do contacto com os portugueses, que afinal lhes deram a conhecer e os fizeram conhecidos no Ocidente.

«Os Portugueses fundaram no Japão uma cidade, Nagasáqui, a única cidade japonesa fundada por estrangeiros, e a única construída sobre colinas, à típica maneira portuguesa.

A obra de cristianização é sobretudo portuguesa. Os Espanhóis só vieram cinquenta anos mais tarde e foram expulsos do Japão quinze anos antes dos Portugueses.

Os primeiros hospitais abertos no Japão foram estabelecidos por Luís de Almeida, negociante, que se tornou jesuíta, com conhecimentos de medicina. Ainda se conserva um sino, num templo de Bungo, com a inscrição “Hospital de Santiago 1612”.

O comércio, embora tendo funcionado como principal meio de aproximação e relacionação entre Portugueses e Japoneses, nunca chegou a ter repercussões de importância na economia ou nos hábitos japoneses. As principais mercadorias eram a seda crua e tecidos de seda da China, que só podiam ser adquiridos pelas classes ricas.

O elemento mais importante é o facto de descobrir aos olhos dos Japoneses o mundo desconhecido dos Europeus. O disporem de uma técnica desenvolvida, que se mostrava nas armas de fogo e nos poderosos navios, impressionou os Nipónicos profundamente. Curiosos e abertos como são ao estrangeiro, depressa esta admiração se traduziu em imitação. Tornou-se moda entre os nobres japoneses imitar tudo o que era português. Nos vestuários, os nobres confundiam-se por vezes com os Portugueses. Os mais entusiastas chegavam a trazer ao peito oito rosários e crucifixos. A moda atingiu até Hideyoshi e o seu sobrinho, pois era por amor à moda, e não por convicção religiosa, que estes ornamentos eram usados.»

Armando Martins, Portugal e o Japão

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