Armando Martins Janeiro, Peregrino

Livraria Portugal, Lisboa, 1962

Wenceslau de Moraes em Macau, em 1890

Peregrino, editado em 1962, é um opúsculo escrito por Janeira que presta tributo a Wenceslau de Moraes e aos encantos do Oriente. De uma forma quase mística, o autor exalta o sentimento (que ele próprio experimentou) de se viver entre um povo oriental. Breve, mas é uma das obras mais interessantes e sentidas de Armando Martins Janeira.

«Compreendi então claramente que Wenceslau não morreu inutilmente aqui entre estrangeiros. O seu espírito inspira a bondade e a compreensão humana com que os japoneses me agasalharam e recebem quem vem de Portugal. Pela primeira vez se rompeu o muro que ódios de religião e de raça e a incompreensão levantavam. O anátema de Kipling, East is East and West is West – nunca o Oriente e o Ocidente se encontrarão – foi Wenceslau de Moraes, que mais sofreu com ele, o primeiro a derrubá-lo. Semearam amor os seus livros, todos cheios de amor por esta terra gentil e formosa, onde alegremente se canta aos mortos e as virgens, em longas túnicas brancas e vermelhas, dançam em louvor aos deuses.

(...) O verdadeiro encanto do Japão é esta luz divina que parece nascer das próprias coisas, que tudo alaga e embalsama, qual música inaudível, alegria suave, perfume que enche o ar, onda de espuma ou de sorriso. É este sorrir da luz brincada que explica o constante sorriso dos japoneses – a felicidade dos homens nasce da luz do Sol.»

Armando Martins Janeiro, Peregrino

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