Armando Martins Janeiro, Peregrino

Livraria Portugal, Lisboa, 1962

2.ª ed.: Pássaro de Fogo Editora, s.l. [Carcavelos], 2008.

  • Peregrino (2.ª edição; texto integral) (PDF)

Peregrino, editado pela primeira vez em 1962, é um opúsculo escrito por Armando Martins Janeira que presta tributo a Wenceslau de Moraes e aos encantos do Oriente, partindo da descrição de um acto simbólico: a inauguração em Tokushima, no Japão, de um monumento a Moraes em 1954, no centenário do seu nascimento. De uma forma quase mística, Janeira exalta o sentimento – que ele próprio experimentou – de se viver entre um povo oriental, numa terra que como nenhuma outra tanto influiu no seu ser interno e na maneira de ver a humanidade. Breve, Peregrino é uma das obras mais interessantes e sentidas de Janeira. A sua 2.ª edição, sob a chancela da editora Pássaro de Fogo, surge em 2008, assinalando os vinte anos sobre a morte de Armando Martins Janeira.

«Compreendi então claramente que Wenceslau não morreu inutilmente aqui entre estrangeiros. O seu espírito inspira a bondade e a compreensão humana com que os japoneses me agasalharam e recebem quem vem de Portugal. Pela primeira vez se rompeu o muro que ódios de religião e de raça e a incompreensão levantavam. O anátema de Kipling, East is East and West is West – nunca o Oriente e o Ocidente se encontrarão – foi Wenceslau de Moraes, que mais sofreu com ele, o primeiro a derrubá-lo. Semearam amor os seus livros, todos cheios de amor por esta terra gentil e formosa, onde alegremente se canta aos mortos e as virgens, em longas túnicas brancas e vermelhas, dançam em louvor aos deuses.

(...) O verdadeiro encanto do Japão é esta luz divina que parece nascer das próprias coisas, que tudo alaga e embalsama, qual música inaudível, alegria suave, perfume que enche o ar, onda de espuma ou de sorriso. É este sorrir da luz brincada que explica o constante sorriso dos japoneses – a felicidade dos homens nasce da luz do Sol.»

Armando Martins Janeiro, Peregrino

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