Armando Martins Janeiro, Nô

Tipografia Koizumi, Tóquio, 1954

O Anjo de O Manto de Penas,
traduzido por Janeira

N ô, publicado em 1954, é um livro breve que consta de três peças traduzidas por Armando Martins Janeira, que também assina a nota introdutória em que nos dá conta do evoluir histórico deste teatro e descreve minuciosamente a encenação e os meios técnicos utilizados. Foi nos poemas do – que significa “talento” – que Janeira encontrou a mais bela poesia da literatura japonesa. Mais tarde, em 1967, reedita esta obra, integrando-a num estudo comparativo sobre O Teatro de Gil Vicente e o Teatro Clássico Japonês e enriquecendo-a com a tradução de mais três peças e três kyogen.

«Tem o duas excelentes qualidades: a elevada beleza lírica do texto e a pureza da realização cénica. A encenação é duma simplicidade tão grande que só não parece tosca por ser tão requintada.

Nenhuma outra forma teatral fundiu duma maneira tão harmoniosa e bela os elementos díspares da representação cénica. Esta pureza é atingida pelo alto simbolismo do texto e do jogo cénico. Os símbolos puros de que faz uso dão-lhe eloquência e brevidade; a riqueza das sugestões dispensa longas declarações de palavras. Alguns passos simbolizam uma longa jornada; uma pedra representa a montanha; um ramo de árvore, a floresta. Esta simplicidade de meios dá-lhe uma nobreza directa e eloquente. (...)

Tanto ao teatro do Ocidente, muitas vezes dissolvendo-se numa decadência brilhante e florida, como às explorações do teatro japonês moderno, o nô oferece a lição dos seus processos de alta beleza, comunicação e eficácia, lembrando-lhes a fascinação e a potência que estão na raiz de todo o espectáculo: a palavra essencial, a poesia, a força e a riqueza dos símbolos, a concentração, a pureza plástica, o mimo, o poder revelatório da máscara e a fusão dos elementos de vária natureza numa perfeita unidade cénica.»

Armando Martins Janeiro,

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