Sobre Armando Martins Janeira

Okutama, Japão, 1954.

Alpbach, Áustria, 1982.

Armando Martins Janeira foi diplomata e escritor, sociólogo e ensaísta, dramaturgo e poeta, homem do mundo e do universo. Sonhou unir civilizações que sempre conheceu divididas. Negava fronteiras sociais e culturais. Para ele, o homem é um só, independentemente da sua raça, língua, religião ou cultura. Desde Três Poetas Europeus, a primeira obra que publica em 1947, até 1985, data da publicação do seu último livro, Japão, a Construção de Um País Moderno, Janeira, a par da sua carreira diplomática, demonstra uma capacidade criativa e crítica extraordinária, chegando a publicar no mesmo ano mais do que um trabalho. São notáveis os seus estudos comparativos sobre o Oriente e o Ocidente, marcos maiores da sua obra. O convívio de mais de dez anos que estabelece com o Japão, o seu povo e a sua cultura, deixa-o completamente fascinado e conquistado pelo Oriente. Essa imensa atração pela sociedade nipónica também foi sentida por Wenceslau de Moraes, por quem Armando Martins Janeira acalenta uma enorme admiração e um respeito profundo. Wenceslau de Moraes quis absorver a cultura oriental e com ela se identificar totalmente. Janeira colheu no Japão toda a experiência de um povo, mas sem nunca esquecer as suas origens. O Oriente veio torná-lo, aliás, mais universal, mais próximo do ideal de civilização planetária ambicionado por Moraes.

Mas o trabalho de Janeira não abarca apenas a experiência colhida em terras do Oriente: escreveu vários ensaios e estudos críticos sobre o Romance, a Poesia e o Teatro em Portugal, além de ter dado forma aos seus próprios contos, peças de teatro e poemas. Deixou-nos também trabalhos sobre Filosofia, História, Sociologia e Direito, nomeadamente Direito Consular. Os seus textos inéditos constituem parte importante da sua obra.

Armando Martins Janeira foi um caminheiro pelo mundo, levando sempre consigo as suas raízes transmontanas, que inspiraram todos os seus passos na peregrinação que é a própria vida. Português, era à universalidade que ele ambicionava. E enquanto homem, escritor e diplomata, concretizou essa ambição. Pois quem ama o ser humano como Armando Martins Janeira amou, que mais pode ser, senão um homem inteiro e universal?