Novidades

2015

Recordar Amando Martins Janeira por Joao Rocha

Recordar Amando Martins Janeira por Joao Rocha

Comemorações do centenário

Convite da Câmara Municipal de Torre de Moncorvo para as comemorações do centenário do nascimento de Armando Martins Janeira, que terão lugar no sábado, 25 de julho, no centro daquela cidade.

Ramiro Salgado, Texto lido na sessão de homenagem efectuada na Biblioteca Municipal de Moncorvo (PDF, 436 KB)

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2014

Nos 100 anos de Armando Martins Janeira
Linda Inês de novo no palco

Aproveitando as celebrações dos 100 anos sobre o nascimento de Armando Martins Janeira, queremos aqui destacar e aplaudir a iniciativa do Grupo de Teatro do Elo Social, de Lisboa, ao pôr em cena, no início de 2014, uma adaptação de Linda Inês ou o Grande Desvairo. Esta peça, publicada apenas postumamente, em 2008, é uma nova versão e não meramente uma reedição do livro de Janeira de 1957 com o título Linda Inês. Nas páginas da fotobiografia do escritor e diplomata, que em breve estará disponível online, Paula Mateus traça o percurso desta Linda Inês intemporal. Deixamos aqui o extrato que faz referência à iniciativa do Elo Social:

Em 2012, inspirado em Linda Inês ou o Grande Desvairo, o Grupo de Teatro do Elo Social põe em palco Pedro e Inês. Com encenação de António Martins e Isabel Cruz, a peça é apresentada, em jeito de antestreia, nas instalações desta associação para a integração e apoio ao deficiente jovem e adulto. «O impacto que produziu nos seus atores e o feedback obtido dos cerca de 500 espetadores levaram-nos a decidir projetar esta obra para o público em geral, dando-lhe maior visibilidade e contribuindo para a inclusão dos seus atores, através da arte», explica a Associação. Assim, em março de 2014, num espetáculo único, Mário Calado (Pedro), Cláudia Rocha (Inês), Luís Bastos (Afonso) e os restantes atores e figurantes do Elo Social, num total de mais de 60, dão a conhecer o texto de Armando Martins Janeira no palco do Cinema São Jorge, em Lisboa. A peça Linda Inês ou o Grande Desvairo foi adaptada por António Martins, que também dirigiu os atores: «Num trabalho de simplificação, salvaguardando o essencial da obra e o seu enredo trágico-amoroso, procurámos adaptar a mesma às especificidades dos nossos atores. Recrutámos intérpretes para cada personagem, que emprestaram a sua voz a cada ator.» A cenografia e o guarda-roupa, a merecerem destaque, são igualmente da responsabilidade da equipa do Elo Social.

Como curiosidade, uma das cenas de Linda Inês ou o Grande Desvairo, entre D. Pedro e Inês de Castro, foi incluída na peça Setembro que Cascais apresentou nas comemorações do centenário de Janeira, como aqui já divulgámos. Coube dessa vez aos atores Pedro Giestas e Joana Araújo dar vida a Pedro e Inês.

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Nos 100 anos de Armando Martins Janeira
Cascais revisita a vida e a obra do diplomata transmontano

Cascais abriu as portas do seu Centro Cultural no dia 27 de setembro para homenagear Armando Martins Janeira, quando passam cem anos sobre o seu nascimento. Foi este o concelho que o diplomata escolheu para passar os seus dias depois de aposentado. E é também aí que Ingrid Bloser Martins, viúva de Janeira, continua a residir e a trabalhar na divulgação em Portugal e no mundo da extensa obra por ele deixada. O empenho e a perseverança de Ingrid Martins estiveram, aliás, uma vez mais na base das iniciativas que a Câmara Municipal de Cascais apoiou.

O Centro Cultural encheu-se de amigos e familiares que puderam assistir à peça de teatro biográfica Setembro – com o ator Pedro Giestas representando Janeira a partir de textos do próprio escritor, alguns deles inéditos –, mas também descobrir, na exposição intitulada Ao encontro da poesia na beleza da arte, alguns dos objetos de arte, sobretudo porcelanas, que Ingrid e Armando Martins adquiriram ao longo das suas vidas, em especial no Japão.

Recordando esse elo entre Armando Martins e aquele longínquo país, marcou presença na homenagem o embaixador do Japão em Portugal, Hiroshi Azuma. A Câmara Municipal de Cascais fez-se representar pelo seu presidente, Carlos Carreiras, pela diretora do Departamento de Comunicação, Matilde Cardoso, e pelo chefe da Divisão de Arquivos Municipais, João Miguel Henriques, responsável, com a sua equipa, pela imensa obra empreendida nos últimos anos em redor do arquivo de Armando Martins, depositado pela viúva no Arquivo Histórico Municipal, cujo inventário se encontra disponível online, como divulgado durante a homenagem.

A merecer especial atenção nesta tarde de celebrações esteve o busto de bronze de Armando Martins Janeira, da autoria do mestre Martins Correia, que a sua filha e herdeira, Elsa Martins Correia, doou a Cascais, e que se integrou na exposição.

A homenagem encerrou com o momento de debate e reflexão sobre a personalidade e a obra de Janeira, moderado por Ingrid Bloser Martins, que reuniu os professores Ana Fernandes Pinto, António Dias Farinha e António Graça de Abreu, o embaixador João de Deus Ramos e Fátima Fonseca Simões, funcionária do Ministério dos Negócios Estrangeiros e ex-aluna de Armando Martins Janeira no Instituto dos Estudos Orientais, hoje Instituto Oriental, da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, de que Janeira foi um dos fundadores.

Alguns dos momentos da tarde de celebrações ficaram registados em fotos, que aqui partilhamos, e em vídeos, que se encontram na Internet em

estes dois últimos dedicados à peça Setembro.

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Nos 100 anos de Armando Martins Janeira
As palavras de José Paulouro das Neves

Impossibilitado de estar presente em Cascais nas comemorações do centenário de Armando Martins Janeira no dia 27 de setembro, o embaixador José César Paulouro das Neves redige um testemunho, que aqui disponibilizamos na íntegra, da sua convivência com o homenageado, partilhando assim a sua memória de uma época e de uma amizade. Paulouro das Neves chega ao Japão no fim dos anos 60 como secretário da embaixada de Armando Martins. É o início da sua carreira e de um longo percurso na diplomacia. Da ação de Armando Martins no Japão, José Paulouro das Neves recorda:

Como embaixador em Tóquio – e de lá partiria para os cobiçados postos de Roma e Londres –, [Armando Martins] teve a inteligente percepção de defender a imagem de Portugal pela via da cultura e da brilhante memória histórica que os portugueses ali haviam deixado. Para isso, e sem meios a não ser os do seu esforço, fez de uma embaixada até aí adormecida um activo ponto de encontro cultural, em que se cruzavam grandes nomes da literatura japonesa com quem mantinha um convívio regular e afectuoso, como Yasushi Inoue, Shusaku Endo, Jiro Osaragi e o prémio Nobel Yasunari Kawabata.

A par disso, lançou uma incansável e bem-sucedida batalha para a tradução, publicação e divulgação da obra completa de Wenceslau de Moraes, através de inúmeros artigos na imprensa local e do apoio dos seus amigos escritores. E, aproveitando as curiosidades abertas pela Expo Universal de Osaka, em 1970, promoveu um plano de celebração do século português em terras japonesas, de que resultaram museus em Tokushima e Nagasaki, e a evocação da heróica teimosia portuguesa em pretender continuar o diálogo de civilizações a que o isolamento nipónico até à era de Meiji iria pôr termo.

Como suporte deste plano de divulgação criou a Sociedade Luso-Japonesa e, numa altura em que não se falava de diplomacia económica, chamou insistentemente a atenção de Lisboa para o elevado potencial de uma mais adequada relação comercial com Tóquio, multiplicando contactos e informações junto das sedes essenciais da vida económico-financeira de Tóquio, como o Keidanren. E, numa época difícil para o trabalho diplomático português, em virtude de uma política colonial que conduzia a vários cortes de relações e a frequentes boicotes por muitos dos países do grupo dos não-alinhados, o embaixador Armando Martins soube construir junto do Ministério dos Negócios Estrangeiros japonês e dos colegas das diferentes embaixadas uma imagem de seriedade e profissionalismo que afastou qualquer iniciativa política contrária quando, por direito próprio, assumiu o cargo de decano do importante e numeroso Corpo Diplomático local.

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Nos 100 anos de Armando Martins Janeira
Ingrid Martins divulga homenagem na rádio

É já no sábado, 27 de setembro, que Cascais celebra os 100 anos sobre o nascimento de Armando Martins Janeira. As iniciativas previstas foram divulgadas pela viúva do escritor e embaixador, Ingrid Martins, na RDP Internacional, através do programa Germano Campos entrevista, de 20 de setembro.

Já neste site tivemos a oportunidade de referir em detalhe os vários passos da tarde de homenagem a Janeira: a começar às 15h30, o espetáculo de teatro e dança Setembro porá em palco os atores Pedro Giestas e Joana Araújo e a bailarina Maria Reis Lima; será depois inaugurada, pelas 16h30, a exposição comemorativa do centenário, que reúne objetos de arte adquiridos pelo casal Martins ao longo dos anos e das suas muitas viagens, e feito o descerramento do busto de Armando Martins, da autoria do escultor Martins Correia, agora doado à Câmara de Cascais pela filha do mestre, Elsa Martins Correia; e para as 17h está programado o início de um debate sobre a vida e a obra de Armando Martins Janeira, antecedido da apresentação pelo Arquivo Histórico Municipal de Cascais do inventário do arquivo de Armando Martins online, bem como da apresentação da fotobiografia do homenageado em e-book que a Câmara de Cascais em breve disponibilizará também online.

Ingrid Martins no programa da RDP Internacional Germano Campos entrevista, de 20 de setembro

Nos 100 anos de Armando Martins Janeira
Japanese and Western Literature disponível em e-book

Japanese and Western Literature. A Comparative Study é provavelmente a obra maior de Armando Martins Janeira. No âmbito das comemorações do seu centenário, disponibilizamos aqui o fac-símile deste ensaio em e-book [esta aplicação pode levar alguns segundos a carregar].

Publicado em 1970 pela editora japonesa Charles E. Tuttle, escrito integralmente em inglês, Japanese and Western Literature colheu o aplauso da crítica literária em todo o mundo. Em 20 de Agosto de 1971, o suplemento literário do The Times escreve que Janeira «traça o panorama da literatura japonesa com uma riqueza de erudição e perceção extremamente esclarecedora para o leitor europeu […] e exprime com clareza numa língua que não é a sua os pontos essenciais que caracterizam a tradição literária japonesa». Classifica ainda este estudo como «a obra mais notável jamais publicada sobre as relações entre o Japão e o mundo ocidental».

Japanese and Western Literature. A Comparative Study (fac-símile)

CENTRO CULTURAL DE CASCAIS, 27 DE SETEMBRO DE 2014
Cascais celebra centenário de Armando Martins Janeira

Cascais dará início às comemorações do centenário do nascimento de Armando Martins Janeira no Centro Cultural na tarde do dia 27 de setembro. Como divulga a Agenda de Cascais, no seu n.º 70, o programa incluirá várias iniciativas encabeçadas pelo espetáculo Setembro:

O ator Pedro Giestas e a bailarina Maria Reis Lima são os protagonistas do espetáculo que abre o programa. Setembro traça o caminho a que Armando Martins foi buscar a sua dimensão humana: num monólogo marcado de música e dança, Pedro Giestas evoca lugares, pessoas e momentos que deram sentido à grande viagem de Janeira pelo mundo e dele fizeram um homem universal.
Na mesma direção aponta a fotobiografia Por que estrada caminhamos, a ser apresentada no mesmo dia, com seleção de fotografias de Ingrid Bloser Martins e de Paula Mateus, que também é a responsável pela organização e pelos textos e que estuda a obra de Armando Martins Janeira há vários anos, desde o dia em que conheceu a viúva do escritor.
É precisamente a Ingrid Bloser Martins que se deve toda a ação que tem mantido vivos o nome e a obra do homenageado. Para assinalar o centenário em Cascais, Ingrid Martins escolheu expor um grupo de objetos de arte, essencialmente cerâmicas, colecionados pelo casal ao longo dos anos: a mostra Ao encontro da poesia na beleza da arte simboliza o gosto e o sentido estético de Janeira.
No âmbito deste dia de celebrações, o Arquivo Histórico de Cascais, onde se encontra depositado o espólio documental de Armando Martins, divulga a disponibilização online do inventário desse arquivo, e apresenta publicamente um busto de bronze de Armando Martins Janeira feito pelo mestre escultor Martins Correia, agora doado a Cascais pela sua filha e herdeira, Elsa Martins Correia.
As comemorações do dia 27 de setembro, pretendendo ser sobretudo momentos vivos, terminam com uma reflexão em jeito de debate: Um olhar sobre Armando Martins Janeira reúne amigos e colegas do professor e embaixador e estudiosos da sua obra, que recordando episódios do passado nos farão perceber a influência da ação de Armando Martins, com ou sem Janeira, no presente e no futuro.

CENTRO CULTURAL DE CASCAIS, 27 DE SETEMBRO
Comemorações do centenário do nascimento de Armando Martins Janeira

PROGRAMA:

15h30  –

Setembro, espetáculo de teatro e dança, com Pedro Giestas e Maria Reis Lima

16h30  –

Inauguração da exposição Ao encontro da poesia na beleza da arte

Apresentação pública do busto de Armando Martins Janeira, da autoria do escultor Martins Correia

17h00  –

Apresentação do inventário do arquivo de Armando Martins Janeira online

Apresentação de Por que estrada caminhamos. Armando Martins Janeira. Fotobiografia

Um olhar sobre Armando Martins Janeira, debate
Participantes:
Dra. Ana Fernandes Pinto
Prof. Doutor António Dias Farinha
Dr. António Graça de Abreu
Dra. Fátima Fonseca Simões
Embaixatriz Ingrid Bloser Martins
Embaixador João de Deus Ramos

Exposição bibliográfica em Lisboa assinala 160 anos sobre o nascimento de Wenceslau de Moraes

No dia 20 de maio foi inaugurada na Biblioteca Municipal de São Lázaro, a mais antiga biblioteca pública de Lisboa, a exposição bibliográfica Wenceslau de Moraes. 160 anos. Regresso a Lisboa. Concebida por Margarida Jardim e o casal Pedro e Graça Barreiros, da Associação Wenceslau de Moraes, a exposição destacava as primeiras edições dos livros de Moraes, mas também os livros que outros escreveram sobre ele e sobre a sua obra, nomeadamente os do seu maior biógrafo, Armando Martins Janeira.

No dia 21 de maio, na mesma Biblioteca de São Lázaro, que Moraes certamente conhecia bem, pela proximidade à sua casa na Travessa do Torel, foi apresentada a reedição de Paisagens da China e do Japão. Dedicado a Camilo Pessanha e a João Vasco em 1906, este livro de Wenceslau de Moraes sai agora com a chancela da editora Livros de Bordo.

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Coro juvenil japonês vem a Portugal celebrar amizade

O Coro Juvenil de Tokushima passou por Coimbra, Leiria e Lisboa entre 29 março e 1 de abril para três concertos comemorativos dos 470 anos de amizade entre o Japão e Portugal e do 45.º aniversário da geminação entre Leiria e aquela cidade japonesa, que foi palco dos últimos anos da vida do escritor português Wenceslau de Moraes, que Armando Martins Janeira extensamente estudou e biografou.

Fundado em 1963, foi esta a primeira vez que o agrupamento coral de Tokushima se apresentou no nosso país. O intercâmbio cultural juntou em concerto as vozes dos jovens japoneses às do Coro dos Pequenos Cantores de Coimbra para o concerto no Salão de São Tomás, do Seminário Maior daquela cidade, a 29 de março, e, no dia seguinte, às do Coro Infantil do Jardim-Escola João de Deus, no Teatro José Lúcio da Silva de Leiria, cidade esta geminada com Tokushima por ação do próprio Armando Martins Janeira.

Depois de Coimbra e Leiria, os quarenta jovens, regidos pelo veterano maestro Shuho Ueda, encheram de encanto a bela Igreja de São Roque em Lisboa, no dia 1 de abril. O Coral Stella Vitae, fundado há sessenta anos na capital portuguesa, partilhou a harmonia da noite ao atuar com o Coro Juvenil de Tokushima. Presentes na cerimónia estiveram o embaixador do Japão em Portugal, Hiroshi Azuma, e a viúva de Armando Martins Janeira, Ingrid Bloser Martins.

aqui antes tivemos a oportunidade de referir o trabalho do embaixador Armando Martins na aproximação de Portugal e do Japão através da geminação de cidades. São oito os municípios portugueses que até hoje estabeleceram protocolos de geminação com cidades japonesas, tendo em vista a promoção da amizade e do intercâmbio mútuos. As comemorações do centenário de Armando Martins Janeira terão início numa dessas cidades irmãs: Cascais, que homenageia Armando Martins Janeira na tarde do dia 27 de setembro no seu Centro Cultural, está geminada com Atami. Mas 2014 é também o ano em que Cascais celebra os 650 anos da sua elevação a vila. Como divulga a Embaixada do Japão em Portugal, Atami congratulou a sua irmã portuguesa presenteando-a com um andor xintoísta – mikoshi – que estará em exposição no Centro Cultural de Cascais no dia dedicado a Armando Martins Janeira.

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Documentário sobre a vida de Janeira procura apoios

O realizador Francisco Manso assina o documentário sobre a vida de Armando Martins Janeira e associa-se assim às comemorações do centenário do embaixador se obtiver os indispensáveis apoios financeiros.

Também produtor de uma grande parte dos seus trabalhos, Francisco Manso tem feito do documentário um género privilegiado no seu percurso, dando protagonismo ao mar português, e entenda-se «mar» literalmente mas sobretudo como a ação de homens e mulheres notáveis que desvela o futuro.

Soares dos Reis, Camilo Pessanha, Mário de Sá-Carneiro, Florbela Espanca, Antero de Quental, Alves Redol, Wenceslau de Moraes, de que Armando Martins Janeira foi o principal biógrafo, Danilo Barreiros, José Vicente Jorge – são algumas das personalidades que Francisco Manso retratou em filme. Entre as suas longas-metragens para cinema destacam-se o premiado Aristides de Sousa Mendes: O Cônsul de Bordéus, Assalto ao Santa Maria, O Último Condenado à Morte e O Testamento do Senhor Napumoceno. Na televisão, Manso tem cultivado nomeadamente a sua colaboração com a RTP através de séries de ficção como Garrett, Outonos e A Epopeia dos Bacalhaos e de documentários como os recentes José Bonifácio, Lusitânia Expresso e Macau: Uma Paixão Oriental.

O documentário sobre Janeira, uma ideia que parte do próprio realizador Francisco Manso, a par de elevar a obra e a personalidade do escritor e diplomata, divulgará os espaços a que em Portugal Armando se afeiçoou: Cascais e o Estoril, onde viveu os últimos anos da sua vida, e, principalmente, Trás-os-Montes, com a serra da sua infância e juventude:

Sou um montanhês. O homem da terra tem raízes na terra, como os castanheiros e os carvalhos. Se não fiquei preso ao chão, como as árvores e os cavadores da minha aldeia, é porque levei as minhas raízes comigo – a minha paixão pela terra, o meu amor pelos que trabalham com simplicidade e a minha humildade diante do seu pão, a minha indiferença pelos grandes, a minha independência que me teve sempre de cabeça direita ao falar aos grandes do mundo – diante de homens e de deuses. (Armando Martins Janeira/Mar Talegre, in «Prefácio» da 2.ª edição de Esta Dor de Ser Homem.)

Com início em 27 de setembro em Cascais, as comemorações do centenário de Armando Martins Janeira vão estender-se até ao verão do próximo ano, passando designadamente por Moncorvo. Até lá, há um documentário à procura da verba que o faça rodar.

2014: o ano do centenário de Armando Martins Janeira

No dia 1 de setembro passam cem anos sobre o nascimento de Armando Martins Janeira. Para celebrar a data estão previstas várias iniciativas, entre elas a apresentação em ebook de uma fotobiografia do embaixador e escritor, com seleção de fotografias de Ingrid Bloser Martins e de Paula Mateus, que também é a responsável pela organização e pelos textos. As comemorações pretendem ser sobretudo momentos vivos reveladores da essência e da cultura de Armando Martins e dar ênfase à sua faceta de dramaturgo e amante do teatro e das artes em geral. Assim, um espetáculo de teatro e dança, uma exposição de objetos de arte representativos do gosto e do sentido estético de Armando Martins, bem como um ciclo de conferências por oradores que transmitam novos olhares sobre a obra de Martins Janeira, estão igualmente pensados no âmbito das celebrações. A sua concretização dependerá essencialmente do apoio das Câmaras Municipais de Torre de Moncorvo e de Cascais – Martins nasceu e viveu a sua juventude no concelho de Torre de Moncorvo; e Cascais é a vila que ele escolheu para passar os seus dias como professor e investigador depois de se aposentar da vida diplomática.

Serão divulgadas neste site todas as iniciativas do centenário. Ao longo do ano iremos ainda disponibilizar online novos textos do escritor, nomeadamente edições fac-similadas de alguns dos seus livros.

2013

Via Sibéria passa por Cascais

Até ao dia 27 de outubro a exposição Via Sibéria, que reúne 140 postais ilustrados enviados do Japão por Wenceslau de Moraes entre 1905 e 1917 a familiares e amigos de Portugal, pode ser visitada na Casa de Santa Maria, em Cascais. A mostra, que no ano passado, como aqui anunciámos, esteve patente ao público no Museu de Marinha, é organizada pela Associação Wenceslau de Moraes e conta desta vez com o apoio da Câmara Municipal de Cascais.

Na inauguração no dia 17 de setembro a Associação Wenceslau de Moraes esteve representada por dois dos seus membros fundadores, o médico, escritor e pintor Pedro Barreiros e o professor e escritor Rui Zink, e a Câmara Municipal de Cascais por Ana Isabel Machado, diretora da Casa de Santa Maria. Os postais, reunidos durante anos por Armando Martins Janeira, grande estudioso de Moraes, foram cedidos para a exposição por Ingrid Bloser Martins.

Concebida pela museóloga Margarida Jardim, esta mostra resulta do extremo empenho de Pedro Barreiros e de sua mulher, Graça Pacheco Jorge, na divulgação da personalidade e obra de Wenceslau de Moraes. Foi escolhido o título Via Sibéria, como explica Pedro Barreiros, por mostrar o longo caminho que os postais percorriam desde que Moraes os deixava na estação de correio até chegarem ao seu destino. Wenceslau de Moraes recorreu grandemente a esta via terrestre de comunicação por ser mais célere do que a via marítima a levar as suas notícias até Portugal, talvez assim iludindo a distância e a saudade.

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Peregrino ou uma questão de densidade

Qualquer obra de referência nos dirá que «peregrino» é aquele que vai ou anda em viagem em lugar santo, por devoção ou promessa – um romeiro – ou um viajante em países longínquos ou considerados exóticos. Armando Martins Janeira, autor do opúsculo Peregrino, de cuja 2.ª edição aqui passamos a disponibilizar a versão integral, e Wenceslau de Moraes, de quem Janeira se auxilia para ilustrar as páginas do seu livro, foram de facto dois desses homens que se deixaram encantar pelo longe, que lá procuraram o sentido da vida. Moraes, enquanto oficial da marinha de guerra, fez inúmeras viagens pela América, pela África e pela Ásia. Na China ficou por cinco anos, mas foi o Japão que acabou por seduzi-lo e por presenciar os últimos trinta anos da sua vida. Aí é cônsul de Portugal em Kobe e Osaca. Aos 59 anos retira-se para Tokushima, onde viverá até à sua morte, a 1 de julho de 1929. São admiráveis os seus «livros de costumes», onde retrata a vida e a alma do povo japonês. Armando Martins Janeira, dedicado biógrafo de Moraes, descreve em Peregrino a cerimónia de inauguração do monumento que Tokushima ergue à memória de Wenceslau de Moraes em 1954, cem anos após o seu nascimento e vinte e cinco após a sua morte. Mas essa descrição dos acontecimentos de um dia é tão-somente um pretexto para uma reflexão atenta de Janeira sobre as grandes questões da vida, filosóficas e religiosas.

Em Peregrino Janeira exalta a profundidade do homem: diz ele, a propósito de um Moraes que «larga a profissão e o escritório consular» e que, «liberto de todas as servidões», vai viver um dia a dia simples numa pequena cidade japonesa: «Poder encontrar beleza fascinante e rica nas pequenas coisas vulgares é uma fonte inesgotável de prazer. Se a renúncia à posse das coisas é a chave do verdadeiro contentamento e conduz à sabedoria, ao contrário, a renúncia aos puros prazeres da alma leva à morte. Viver assim, liberto, é bom; juntar o seu canto aos hinos do Universo, caminhar entre alegrias puras.» No fundo, Janeira revê-se completamente no que nestas páginas defende. Tanto ele como Wenceslau de Moraes foram peregrinos devotos à sua «causa», ao amor aos homens. «A Vida é sobretudo uma questão de densidade», conta Armando Martins Janeira, em jeito de conclusão, assim sintetizando plenamente a viagem que ambos empreenderam, de formas diferentes, é certo, pela busca dos «guardados mistérios».

Peregrino é a voz de Janeira condensada. É um daqueles textos que, passem os séculos, nunca perderão a sua atualidade e a sua razão, porque abordam valores intocáveis e aquilo que no homem é inalienável e permanece: a sua essência.

A 2.ª edição de Peregrino, com que, em 2008, a editora Pássaro de Fogo homenageou Armando Martins Janeira vinte anos após a sua morte, contém fotografias até então inéditas da cerimónia em Tokushima naquele distante dia 1 de julho de 1954. São essas fotografias que aqui também publicamos.

Peregrino (2.ª edição; texto integral)(PDF, 5.9 MB)

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Figuras de Silêncio nos 470 anos de amizade com o Japão

O texto integral de Figuras de Silêncio, uma das obras mais importantes de Armando Martins Janeira sobre o Japão, está agora disponível neste site.

Aquando da sua edição em 1981, numa nota dirigida à imprensa, Janeira afirma que este livro, que tem como subtítulo A Tradição Cultural Portuguesa no Japão de Hoje, «tenta trazer à circulação da cultura portuguesa os grandes vultos que introduziram a cultura europeia no Japão nos séculos xvi e xvii – um navegador, quatro missionários, dois grandes aventureiros: de uns revelando aspectos novos, de outros levantando-os do esquecimento em que jaziam, soterrados sob o silêncio de séculos». O autor fala concretamente de Jorge Álvares, Luís de Almeida, Luís Fróis, João Rodrigues, Diogo de Carvalho, Francisco Xavier e Fernão Mendes Pinto. Falta aqui incluir a figura mais recente: o marinheiro, diplomata e escritor Wenceslau de Moraes, cujos nome e obra Janeira largamente divulgou tanto no Japão como em Portugal e a quem neste livro chama de «o último dos grandes aventureiros lusíadas». São, pois, estes homens do passado que levam Janeira a percorrer as cidades em que eles trabalharam e viveram, e onde, lê-se na mesma nota, «são namorados em vários monumentos erguidos por iniciativa e a únicas expensas dos japoneses, tornando a sua presença mais viva em terra estranha do que no país natal».

A par do delinear, dentro da cultura japonesa, dos traços capitais em que a cultura portuguesa revive, Armando Martins Janeira vai entretecendo nestas páginas um testemunho muito pessoal das suas vivências no Japão, o que torna esta obra a mais biográfica de todas as que escreveu.

Figura incontornável na consolidação da amizade que desde há 470 anos une os povos português e japonês, Janeira é hoje, afinal, ele próprio, um dos «grandes portugueses do Japão, intérpretes da civilização do Ocidente», a quem começa por dedicar este livro.

Figuras de Silêncio (texto integral)(PDF, 857 KB)

O esplendor do Uchi-kake

No Museu do Oriente em Lisboa, no setor da exposição permanente dedicado ao Japão, pode ver-se um moderno e elegante Uchi-kake, um quimono de cerimónia, normalmente usado por uma noiva.

Adquirido pela família Martins no final da década de 1960, quando Armando Martins era embaixador de Portugal em Tóquio, o exemplar foi recentemente depositado naquele museu por Ingrid Bloser Martins.

Na legenda que descreve o Uchi-kake pode ler-se:

Quimono de seda lavrada e pintada em tons salmão, azul e roxo, decorada com motivos espolinados a fio metálico laminado dourado e prateado e bordado com fio dourado e prateado, formando motivos florais (crisântemos e paulónias) e leques. Forro de seda tafetá cor salmão e entretela de enchimento.

O Uchi-kake é um quimono formal, usado exclusivamente pela noiva ou numa performance em palco, por cima do quimono tradicional, seguro pelo obi, uma faixa que se ata à cintura (neste caso inexistente), como se de um casaco se tratasse.

A peça é usada a arrastar pelo chão, razão pela qual possui o bordo acolchoado na bainha.

O Uchi-kake utilizado pela noiva é normalmente branco ou muito colorido, à semelhança deste exemplar.

Até ao período Edo, os Uchi-kake eram usados pelas mulheres de samurais e outros homens de armas e por senhoras de famílias nobres em ocasiões especiais.

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Chá do Oriente ao Ocidente em exposição em Lisboa

O sucesso e a recetividade que a exposição O Chá. De Oriente para Ocidente tem colhido desde a sua inauguração em junho do ano passado levou o Museu do Oriente, em Lisboa, a prolongar o período da mostra até 31 de março.

Como se pode ler na página do site do museu dedicada à mostra, exibem-se «cerca de 250 peças de tipologias tão distintas como porcelana, prataria, pintura, escultura, mobiliário, bibliografia ou espécimes em herbário». Repartidas por sete núcleos – «Planta do chá e respectivo cultivo», «Bules yixing», «Transporte e comércio», «Porcelana chinesa de exportação associada ao chá e outros utensílios com ele relacionados (caixas e chávenas de chá em materiais exóticos)», «O chá na China e no Japão», «Ambientes associados ao chá (o chá na Europa)», «Serviços de chá em porcelana europeia e prataria portuguesa» –, as peças expostas provêm de colecionadores particulares e dos acervos do Museu do Oriente e de diversas outras instituições, como o Museu Nacional de Arte Antiga, o Museu de Marinha, o Palácio Nacional da Ajuda, o Museu de Cerâmica das Caldas da Rainha, o Museu do Chiado e a Biblioteca Nacional de Portugal.

Da sua coleção, Ingrid Bloser Martins, viúva de Armando Martins, cedeu ao núcleo dedicado ao Japão um conjunto de bules de ferro e de malgas e tigelas (em japonês, chawan) de cerâmica vidrada, bem como uma série de latas e caixas para guardar o chá. As peças de cerâmica, usadas na cerimónia do chá, datam do séc. XX e são da autoria de artistas da cidade nipónica de Quioto.

Armando Martins Janeira dedica à arte do chá grande atenção em várias das suas obras. N’O Impacto Português sobre a Civilização Japonesa, diz que nesta arte, a cha-no-yu, «estão combinados elementos das duas mais antigas e brilhantes civilizações asiáticas, a indiana e a chinesa. Com o espírito dos sutras budistas se relaciona o carácter de sacramento doméstico da cerimónia do chá; na devoção à filosofia e ao sentimento, das épocas Sung e Yuan, se filia a apreciação da poesia e o prazer da elegância da forma. Da China vieram os utensílios, o chá e o método de o moer. Na combinação harmoniosa dos elementos estrangeiros interveio o génio japonês: do amor da simplicidade e da modéstia, do gosto refinado que suprime toda a ostentação, do gozo pleno das belezas naturais, o japonês compôs um rito social que ensina a beleza pura da vida e a ‘geometria moral’ que situa cada homem no seu próprio lugar num harmonioso universo». Neste subcapítulo, denominado «Arte do chá», Janeira explica ainda de que forma a liturgia cristã influenciou a cerimónia do chá no Japão, um culto profundamente enraizado na alma do seu povo.

O Culto do Chá é precisamente o título do livro que Wenceslau de Moraes escreveu, aqui mais preocupado com a poesia da cerimónia do que com a mentalidade e o pensamento que a inspirou. A 1.ª edição, em papel de arroz e com ilustrações do pintor japonês Yoshiaki, foi publicada em 1905. O prefácio da 2.ª edição, que aqui também pode ler, é assinado por Armando Martins Janeira. Este e outros livros relacionados com o ritual do chá também marcam presença nesta elegante exposição no Museu do Oriente.

Arte do chá(PDF, 106 KB)

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Visita virtual à Via Sibéria

Com o título Via Sibéria, esteve patente ao público no ano passado no Museu de Marinha, entre abril e junho, uma coleção de 140 postais escritos por Wenceslau de Moraes no Japão e enviados para familiares e amigos seus em Portugal.

Surge agora em CD a visita virtual a esta exposição que aquele museu e a Associação Wenceslau de Moraes organizaram. Com conceção e produção de Mariana Facada e Raquel Ferreira, a visita, que aqui disponibilizamos [esta aplicação pode levar alguns segundos a carregar], leva-nos a quatro painéis por onde se distribuem os postais de acordo com as categorias «Paisagem», «Fotografia», «Retrato» e «Pintura». Em cada painel podem ler-se, para além de autógrafos de Moraes, várias curiosidades e comentários sobre esses textos manuscritos. É possível ainda aceder-se a diversos excertos de obras de Moraes, como Páginas Africanas, Cartas do Japão, O Culto do Chá, Paisagens da China e do Japão, Fernão Mendes Pinto no Japão, Serões no Japão e Relance da Alma Japonesa.

Como aqui oportunamente divulgámos, os postais, adquiridos em tempos por Armando Martins Janeira, bem como alguns outros objetos alusivos à vida e à obra de Moraes, foram cedidos para a mostra por Ingrid Bloser Martins, viúva de Janeira.

Amizade entre Portugal e o Japão tem 470 anos

São inúmeras as iniciativas que estão já a decorrer e que se multiplicarão ao longo de 2013 em Portugal e no Japão para comemorar os 470 anos de amizade entre as duas nações. Nobutaka Shinomiya, embaixador do Japão em Portugal, lança o convite: «O primeiro encontro entre os dois povos ocorreu na ilha de Tanegashima em 1543 e este foi o primeiro contacto entre o povo japonês e um país do Ocidente. Portugal é, pois, o país europeu com a mais longa história de intercâmbio com o Japão. Recebendo a ampla participação e apoio de todos vós, a Embaixada do Japão envidará todos os esforços para levar este ano comemorativo a um inigualável sucesso, agradecendo e convidando todo o povo português para participar nesta viagem celebrativa que irá decorrer durante todo o ano.»

No site da Embaixada do Japão em Portugal foi criada uma página – http://www.pt.emb-japan.go.jp/470Anos/index.html – para destacar os eventos a terem lugar no âmbito desta comemoração. Pode ler-se ali também um breve resumo das relações históricas entre os dois países.

O site de Armando Martins Janeira evoca esta longa amizade com a publicação do texto integral de Figuras de Silêncio, em março, e de Peregrino, em abril.

2012

Homenagem a Gil Vicente: A Grande Feira do Mundo integral

Em 2012 passam 510 anos sobre a representação da primeira obra conhecida de Gil Vicente, Monólogo do Vaqueiro, também chamada de Auto da Visitação, e 450 anos sobre a 1.ª edição das obras completas deste dramaturgo, considerado por Garcia de Resende e outros consagrados autores como o pai do teatro português. Em jeito de homenagem a Gil Vicente, oferecemos aos nossos leitores o texto integral d’A Grande Feira do Mundo, o último livro que Armando Martins assina com o apelido «Janeiro», daí em diante alterado para «Janeira».

Publicada pela Ática, em 1967, esta peça pretendia ser um tributo de Armando Martins a Gil Vicente 500 anos após o seu nascimento. Embora não haja dados exatos quanto à data e ao local de nascimento de Gil Vicente, a maioria das obras de referência é unânime a defender que o escritor terá nascido por volta de 1465, em Guimarães.

Elaborada em três atos, A Grande Feira do Mundo inspira-se pois no modelo alegórico geral do Auto da Feira, de Gil Vivente, e retoma vários tipos e situações dispersos pela farsa vicentina, nomeadamente n’O Velho da Horta, no Auto da Barca da Glória e no Auto da Exortação da Guerra, mas num registo, tanto de atitudes como de linguagem, adaptado aos anos 60 do século XX. Trata-se de um projeto, sem dúvida, audacioso, mas o respeito de Armando Martins pelo génio de Gil Vicente é aqui deveras visível, bem como no seu notável ensaio O Teatro de Gil Vicente e o Teatro Clássico Japonês, saído uns meses antes, no mesmo ano de 1967, não se podendo assim ver nesta peça qualquer pretensão a uma rivalidade.

Como o próprio Armando Martins afirma, A Grande Feira do Mundo é «uma experiência literária que há mais de três séculos [desde Francisco Manuel de Melo] se não tentara», para trazer à luz «o problema de moldar em velhas formas a vida e as ideias do dia de hoje e de actualizar os velhos mitos», «um dos problemas constantes e mais importantes de toda a literatura» (in A Capital, suplemento Literatura & Arte, 5 de junho de 1968). E Óscar Lopes, ainda sobre esta questão, acrescentaria num texto crítico: «O problema estético central que Armando Martins Janeiro nos levanta com A Grande Feira do Mundo é o de como interpretar o significado actual da tradição vicentina. Martins Janeiro obedece provavelmente neste auto à solicitação imediata de pôr os mais conhecidos elementos da farsa de Gil Vicente ao alcance fácil de um público actual, mas nem por isso, deixou, por certo, de lhe ocorrer a dúvida de como interpretar hoje o sentido essencial dessa tradição. [...] Como todo o modernismo relativo dos arcaicos, [o de Gil Vicente] não é de apreensão fácil. Exige finura dialéctica, senso histórico para o antigo e para o actual. O Gil Vicente nosso contemporâneo só se pode apreender através de uma profunda refundição daquilo que no seu e no nosso tempo geralmente se pensa» (in O Comércio do Porto, 14 de maio de 1974). A título de curiosidade, esta interessante crítica de Óscar Lopes ao auto A Grande Feira do Mundo teria sido publicada no suplemento Cultura e Arte d’O Comércio do Porto do dia 12 de março de 1968 juntamente com a recensão a O Inferno, peça-julgamento de Bernardo Santareno, não fosse a Comissão do Porto dos Serviços de Censura as ter reprovado. Foi preciso esperar mais de seis anos para O Comércio do Porto poder finalmente reproduzir o texto de Óscar Lopes sobre as duas peças teatrais.

A Grande Feira do Mundo(PDF, 178 KB)

Antologia de Armando Martins Janeira em 2013

A antologia de textos de Armando Martins Janeira que terá a chancela da Imprensa Nacional-Casa da Moeda será editada em 2013 e não este ano, como antes aqui aventuráramos.

Organizada por Paula Mateus, esta antologia resume a imensa herança escrita de Janeira, mas mostra no entanto a abrangência da sua pena através de obra édita e inédita que passa, por exemplo, pelo inevitável Japão, e dentro deste por Wenceslau de Moraes, pela literatura portuguesa, europeia e oriental e pelo teatro, nomeadamente português e japonês.

Embora a data precisa do lançamento ainda não esteja marcada, a INCM admite ter o livro no mercado nos primeiros meses do próximo ano.

Postais de Wenceslau de Moraes em Lisboa via Martins Janeira

Uma vasta coleção de postais escritos por Moraes e enviados do Japão para os seus familiares e amigos portugueses esteve patente ao público de 17 de abril ao fim de junho no Pavilhão das Galeotas do Museu de Marinha, em Belém. A exposição, intitulada Via Sibéria, foi organizada por aquele museu e pela Associação Wenceslau de Moraes.

Reunidos ao longo de anos pelo mais importante biógrafo de Wenceslau de Moraes, Armando Martins Janeira, os postais, num total de 140, foram cedidos para esta mostra pela sua viúva, Ingrid Bloser Martins. Complementavam a exposição outros objetos relacionados com a vida e a obra de Moraes, e também de Janeira, ambos caminheiros pelo Japão e pelo mundo.

Na inauguração, que contou com a presença do embaixador do Japão, Nobutaka Shinomiya, Ingrid Martins sublinhou a importância do trabalho empreendido no passado por Janeira e hoje pela Associação Wenceslau de Moraes, nomeadamente através de Pedro Barreiros, seu fundador, na divulgação da obra de Moraes:

Há poucos dias faleceu um dos maiores ficcionistas europeus do nosso tempo, Antonio Tabucchi. Quis o acaso que ele lesse Fernando Pessoa e seguisse até Lisboa para encontrar o autor da Mensagem. Antonio Tabucchi disse dele próprio que foi o amor, neste caso, por uma mulher, que deu continuidade à sua arte criativa.

Wenceslau de Moraes também amou... Amou mais o Japão do que a sua própria vida. Na nossa coleção encontrei até quatro postais, escritos em horários diferentes, mas no mesmo dia, num dia só.

O predecessor do Sr. Director deste museu, o nosso Amigo Comandante Rodrigues Pereira, confiou-me uma vez que para ele a segunda peça mais valiosa e querida ao seu coração do espólio aqui presente é, por acaso, um mapa-biombo de Nagasáqui, que foi uma preciosa doação de Armando Martins Janeira em 1952.

Todos nós temos amores e preferências.

Na família do Dr. Pedro Barreiros a paixão-amor pelo Oriente e por Wenceslau de Moraes já é hereditária, de longa data. Wenceslau de Moraes e Camilo Pessanha ainda eram vivos nesse tempo. E hoje temos uma associação fundada em função de um chamamento comemorativo sob a forma dos valores de uma memória sociocultural, também pelo amor.

Armando Martins Janeira estaria hoje profundamente feliz e com certeza grato por ver finalmente o seu sonho realizado: que um museu português reconheça os méritos de Wenceslau de Moraes e do seu tempo, e que valorize igualmente, digo eu agora, todo o esforço que o próprio Armando empreendeu no sentido de reavivar a obra para abrir um novo caminho no amor às artes e aos costumes que Wenceslau de Moraes nos transmite.

Eis-nos pois aqui nesta bela homenagem que nos faz viajar pela pena de Wenceslau de Moraes desde o longínquo Oriente até ao nosso Portugal, a pátria que Moraes nunca esqueceu e de que guardou sempre imensa saudade.

A Wenceslau de Moraes Armando Martins Janeira dedicou efetivamente parte importante da sua obra. O Jardim do Encanto Perdido. Aventura Maravilhosa de Wenceslau de Moraes no Japão , publicado em 1956 por Manuel-Barreira Editor, Peregrino, em 1962 pela Livraria Portugal, reeditado em 2008 pela Pássaro de Fogo Editora, e Um Intérprete Português do Japão.Wenceslau de Moraes, em 1966 pelo Instituto Luís de Camões de Macau, são três dos seus livros que testemunham a vida e a obra de Moraes. Em 1971 Janeira vê publicada pela Portugália Editora (que a Vega reeditou em 1993) uma antologia de textos de Wenceslau de Moraes que organizou e fez preceder de um extenso e relevante estudo em vários capítulos sobre o perfil deste escritor. Damos agora a conhecer um desses capítulos, «Para servir de posfácio», em que Janeira parte da sua sétima visita a Tokushima, cidade que Moraes adotou como seu derradeiro destino, para refletir sobre o que a um e a outro levou a amar tanto o Japão.

Para servir de posfácio(PDF, 152 KB)

GALERIA DE IMAGENS

Armando Martins Janeira no Arquivo Histórico Digital de Cascais

Está a ser tratado o fundo Armando Martins Janeira que em anos recentes a família do escritor e embaixador depositou faseadamente no Arquivo Histórico Municipal de Cascais. Constituído essencialmente por correspondência, tanto particular como diplomática e literária, documentação vária ligada à vida académica e à vida profissional, bem como à obra escrita, estudos, recortes de artigos publicados na imprensa e apontamentos, este fundo resulta de contrato estabelecido entre a viúva de Armando Martins, Ingrid Bloser Martins, e a Câmara Municipal de Cascais, através do seu Arquivo Histórico, ao abrigo do Programa de Recuperação de Arquivos e Documentos de Interesse Municipal.

No site do Arquivo Histórico Municipal, através da sua página de Fundos e Coleções, pode-se agora aceder aos Arquivos Pessoais, sendo um deles o de Armando Martins Janeira, onde se encontra por ora informação biobibliográfica e se virá a disponibilizar dados detalhados sobre a documentação depositada. A mesma informação também já faz parte do novo Guia Digital do Arquivo Histórico Municipal de Cascais.

Num breve artigo publicado na Agenda Cultural de Cascais de maio-junho deste ano é feito o balanço da ação do Arquivo Histórico:

Fundado a 25 de agosto de 1987, o Arquivo Histórico Municipal de Cascais tem por missão recolher, organizar, preservar e difundir toda a documentação considerada de interesse para a reconstituição do passado do concelho.

Para além da gestão dos documentos produzidos e recebidos pela Câmara Municipal no exercício da sua atividade, cumpre-lhe, ainda, o tratamento da documentação que se demonstre de relevo para a preservação da memória local, recebida por compra, depósito ou doação, nomeadamente por intermédio do PRADIM – Programa de Recuperação de Arquivos e Documentos de Interesse Municipal, no âmbito do qual se transferiram para instalações municipais os arquivos do Arquiteto Silva Júnior (Casa do Alentejo), Associação Escola 31 de Janeiro, Associação Naval de Lisboa, Clube Naval de Lisboa, Colégio da Bafureira, Embaixador Armando Martins Janeira, Escritora Cacilda Celso, Federação Portuguesa de Remo, General Jacinto Parreira, Hotel Palácio, Junta de Freguesia de Cascais, Junta de Turismo da Costa do Estoril, Luís Marques e Susan Lowndes, Pintor Eduardo Leite e Sociedade de Educação Social de S. João do Estoril, assim como parte das coleções António Capucho, José Santos Fernandes, Maria Albertina Madruga e Manuel Eugénio Fernandes da Silva, que foram ou estão a ser alvo de tratamento, com vista à sua disponibilização a todos os interessados.

O Arquivo Histórico Municipal de Cascais assegura, assim, a preservação dos mais relevantes documentos para a reconstituição do passado do concelho, de 1386 a 2011, datas extremas das fontes que disponibiliza, a diferentes níveis, para consulta presencial e on-line, atualmente organizadas em 57 Fundos e Coleções, reunidos em 10 Grupos de Arquivos.

Equacionando que o aumento exponencial da documentação preservada conduziu à desatualização do Guia do Arquivo Histórico Municipal de Cascais, editado em 1993 pela autarquia, a partir do próximo dia 7 de junho – por ocasião da comemoração dos 648 anos da elevação de Cascais à categoria de Vila – disponibilizar-se-á, através do novo sítio da Câmara Municipal de Cascais na Internet, o novo Guia Digital do Arquivo Histórico Municipal. Desta forma, facultar-se-á digitalmente, em formato de livro, o acesso às descrições de todos os Fundos e Coleções em presença, já disponibilizadas em www.cm-cascais.pt/arquivohistoricodigital, de modo a que os utilizadores possam conhecer que tipologias de documentos se conservam, de facto, em cada um destes núcleos, assim como obter informações suplementares acerca da sua extensão, dimensão, história, âmbito, conteúdo, sistema de organização e acessibilidade.

No Guia Digital do Arquivo Histórico Municipal de Cascais pode ler-se ainda que

os trabalhos em curso, de classificação, descrição, indexação, digitalização e acessibilização, presencial ou remota, alicerçarão o projeto de transformação do Arquivo Histórico Municipal num ativo Centro de História Local, que muito beneficiará da reinstalação na Casa Henrique Sommer, em Cascais. Facultar-se-á, assim, a consulta da documentação a todos os interessados, num espaço especificamente concebido para o efeito, libertando-se parte substancial do depósito onde se encontra instalado, desde 2003, no Complexo Multisserviços da Adroana, que poderá, então, ser ainda mais utilizado pelo Arquivo Intermédio Municipal. Para o efeito, a Câmara Municipal de Cascais assinou, em 2005, o auto de posse administrativa do edifício, peça ímpar da arquitetura de veraneio do final do século xix, já classificada como imóvel de interesse municipal, que recebeu a designação de Casa Henrique Sommer, em homenagem ao seu primeiro proprietário.

João Miguel Henriques, que tem desenvolvido um trabalho brilhante enquanto coordenador do Arquivo Histórico de Cascais, lugar que assumiu em 2005, considera, em entrevista ao Boletim Municipal, de outubro de 2011, que a disponibilização dos conteúdos no Arquivo Histórico Digital é a maior conquista deste serviço que dirige.

Recorde-se que, a par do fundo documental de Armando Martins Janeira em Cascais, concelho onde o Embaixador escolheu viver nos períodos que mediavam as suas transferências de um posto diplomático para outro e depois de aposentado, foi criado um outro fundo em Torre de Moncorvo, terra natal de Armando Martins, para receber uma sua vasta coleção de objetos e a sua biblioteca pessoal, doadas também pelos seus herdeiros. O acervo encontra-se no Centro de Memória da vila, criado em 2008 precisamente para o albergar, estando no entanto as suas portas abertas a outras doações de personalidades de relevo cultural, social ou político naturais de Torre de Moncorvo ou ligadas ao concelho.

Martins Janeira e o Acordo Ortográfico

A partir deste ano adotaremos a nova ortografia estabelecida pelo Acordo Ortográfico de 1990 em todos os textos que elaborarmos para este site. Atualizaremos nos próximos meses, por uma questão de coerência, a grafia dos textos de apresentação já existentes: de Armando Martins Janeira nas páginas «Introdução», «Biografia» e «Obra», e dentro desta as breves apresentações dos vários títulos até agora trabalhados; e de Wenceslau de Moraes na página com o mesmo nome. Manteremos, no entanto, a ortografia anterior a este acordo em todos os excertos de obras ou em obras completas de Armando Martins Janeira aqui já reproduzidos ou que viermos a reproduzir, sejam eles éditos ou inéditos, por fidelidade à sua escrita e adivinhando a sua vontade. Ainda os textos de terceiros autores que aqui disponibilizamos serão grafados de acordo com os manuscritos ou com outra fonte por que nos sigamos.

Com efeito, Janeira, que foi sempre um defensor maior da Língua Portuguesa, rebelar-se-ia certamente contra este novo acordo, que aliás não consegue ganhar consenso entre linguistas, filólogos, académicos, escritores, tradutores, jornalistas e outros estudiosos e profissionais das letras e da cultura dos vários países visados.

O acordo ortográfico anterior, de 1945, que tinha à cabeça Júlio Dantas, apoiado por outros luminares, entre eles Francisco Rebelo Gonçalves, autor do precioso Vocabulário da Língua Portuguesa, vê hoje violadas várias das leis que ditava. Uma delas, de primordial importância, dizia: «Não se consentem grafias duplas ou facultativas. Cada palavra da língua portuguesa terá uma grafia única. Não se consideram grafias duplas as variantes fonéticas e morfológicas de uma mesma palavra.» As grafias duplas agora permitidas são apenas uma das grandes fragilidades do acordo de 1990. A tão pretendida unificação ortográfica sai, logo aqui, completamente frustrada.

Em 1981, numa nota com que finaliza um dos seus livros mais importantes sobre o Japão – Figuras de Silêncio – Armando Martins Janeira, a propósito das reformas ortográficas que presenciou, afirma recusar-se «a aceitar o empobrecimento da língua, que é propriedade do povo e a nossa herança mais sagrada, e que nenhum Diário do Governo e nenhuma Academia têm o direito de manipular ou diminuir». E conclui: «Três reformas ortográficas numa geração evidenciam o desacerto e a falta de firmeza de quem as assinou.»

Se a história, ou o desacordo, hoje se repete, parece-nos no entanto sensato adotar a nova ortografia, uma vez que, determinada a sua aplicação a partir de 1 de janeiro de 2012, será com ela que as novas gerações hão de escrever o futuro.

Acordo Ortográfico de 1945(PDF, 303 KB)

Acordo Ortográfico de 1990(PDF, 294 KB)

2011

Antologia de Janeira com chancela da INCM

Com organização e nota introdutória de Paula Mateus, uma antologia de textos de Armando Martins Janeira será publicada, possivelmente já em 2012, pela Imprensa Nacional-Casa da Moeda. Paula Mateus, que estuda a vida e obra de Janeira há vários anos, reuniu neste trabalho alguns dos textos mais representativos deste autor, sempre com a preocupação de provar a abrangência e a diversidade da sua Obra. A antologia, que abre com um capítulo dedicado aos primeiros livros de Janeira – Três Poetas Europeus (Camões, Bocage, Pessoa), de 1947, Esta Dor de Ser Homem e Sentidos Fundamentais do Romance Português, ambos de 1948 –, demora-se naturalmente sobre o Japão, país em que Janeira viveu durante mais de uma década e ao qual dedicou bastante estudo. Vale a pena lembrar, aliás, que a reactivação das relações culturais entre Portugal e o Japão no século XX se deve quase exclusivamente a Armando Martins. A sua obra desempenhou um papel primordial na reabilitação da imagem do nosso país no Japão, mediante a divulgação da língua e da cultura portuguesa, e na divulgação e incrementação do interesse pelo estudo da cultura e da civilização oriental. Assim, as suas obras de referência sobre o Japão – O Impacto Português sobre a Civilização Japonesa, de 1970, reeditado, postumamente, em 1988, Japanese and Western Literature – A Comparative Study, de 1970, e Figuras de Silêncio – A Tradição Cultural Portuguesa no Japão de Hoje, de 1981 – marcam presença relevante nesta antologia, a par com outros estudos como Caminhos da Terra Florida – A Gente, a Paisagem, a Arte Japonesa, de 1956, e o importante Japão – A Construção de Um País Moderno, de 1985, e com alguma da bibliografia que Janeira dedicou a Wenceslau de Moraes, de quem foi o mais valioso biógrafo. A merecer aqui referência a reprodução na íntegra nesta antologia do opúsculo Peregrino, de 1962, reeditado em 2008 por Paula Mateus, enquanto editora da Pássaro de Fogo.

Além dos livros que publicou, Janeira deixou-nos uma imensa herança escrita, que esta antologia agora também recupera. Entre os inéditos, o destaque vai, sem dúvida, para um conjunto de nove peças de teatro curtas, que o autor por várias vezes mostrara o desejo de ver publicadas. Sobre o Teatro foram escolhidos excertos dos ensaios O Teatro Moderno, de 1952, e O Teatro de Gil Vicente e o Teatro Clássico Japonês, de 1967, incluindo-se nos deste último duas pequenas peças de traduzidas por Janeira. Amante desta arte, Armando Martins Janeira dizia mesmo que, ao lado do poema épico, é o Teatro que regista as criações mais altas do espírito humano. A antologia conta ainda com algumas das crónicas e artigos que Janeira publicou em jornais e noutros periódicos e vários outros textos, éditos e inéditos, mais ou menos longos, sobre temas diversos.

O prefácio da antologia é assinado por Eugénio Lisboa, que se estreou na sua carreira diplomática como Conselheiro Cultural em Londres, em 1978, precisamente junto a Armando Martins, então Embaixador na capital britânica.

Esta antologia é fruto do empenho de Ingrid Bloser Martins, viúva do escritor e diplomata, e de Beatriz Martins Geisler, filha do casal, e Matthias Geisler, seu marido. A Imprensa Nacional-Casa da Moeda, ao assumir agora a publicação desta obra, proporcionará o olhar alargado que já se impunha sobre a Obra de um dos mais importantes diplomatas e intelectuais do nosso tempo.

Martins Janeira visto por Martins Correia

Em 2010 completaram-se cem anos sobre o nascimento do Mestre Martins Correia, o magistral escultor e pintor casapiano, nascido na Golegã, e foram várias as iniciativas levadas a cabo para celebrar o seu nome e a sua imensa e prestigiosa Obra, iniciativas essas que se prolongaram até Outubro de 2011. Logo em Fevereiro de 2010 o Museu Municipal Martins Correia organizou a exposição Olhar Poético – Auto-Retrato. Agora instalado no edifício Equuspolis na sua terra natal, o espólio doado pelo artista à Câmara Municipal, que durante vários anos esteve guardado no edifício em frente ao Pelourinho, passou finalmente a ter condições para ser preservado e divulgado. Foi igualmente elaborado pela Câmara o Catálogo Museu Municipal Martins Correia. O pintor e escultor teve ainda o seu nome atribuído a uma escola na Golegã; outros eventos realizaram-se na Academia Nacional de Belas Artes e na Fundação Calouste Gulbenkian, este promovido pela Casa Pia, com o propósito de recordar o percurso do Mestre; depositaram-se flores junto das cinzas de Martins Correia, como vem acontecendo, aliás, todos os anos. Em Lisboa, a mais importante comemoração foi sem dúvida a exposição Mar.E.Cor., que se inaugurou já em Abril deste ano no primeiro piso do claustro do Mosteiro dos Jerónimos. Coordenada pelos escultores José Aurélio e José Teixeira e comissariada por Gabriela Carvalho e Eduardo Marçal Grilo, a mostra Mar.E.Cor., que vai beber o seu título às três primeiras letras dos próprios nomes do artista que celebra, teve uma média de duas mil visitas diárias. Este êxito é a reafirmação da excelência da arte de Martins Correia. Em Outubro, na estação do Metro de Picoas, foi lançado o livro Martins Correia Laureatus, o Mestre da Forma e da Cor, de Gabriela Carvalho, pela editora Althum.com, encerrando-se assim as comemorações.

Armando Martins, que com Martins Correia manteve sempre fortes laços de amizade, possibilitou que no Japão o Mestre erguesse um monumento aos Grandes Portugueses, simbolizando a amizade entre os dois povos. A escultura de bronze, que tem o mesmo título e ilustra a capa de um dos livros de Janeira, Figuras de Silêncio, foi concebida para a Exposição Mundial de Osaca de 1970, tendo sido posteriormente transferida para os jardins do Museu de Dejima, em Nagasáqui. Nos seus medalhões mostram-se seis figuras históricas: Jorge Álvares (?-1521), Francisco Xavier (1506-1552), Luís Fróis (1532-1597), João Rodrigues (1558, 1560 ou 1561-1633 ou 1634), Luís de Almeida (1525-1583) e Wenceslau de Moraes (1854-1929).

Para além deste monumento, Armando Martins ajudou a erguer muitos outros por todo o Japão, imortalizando o nome e a obra dos portugueses que, como ele, ajudaram a aumentar Portugal e a sua memória naquele pedaço da Ásia distante. No livro Figuras de Silêncio, num capítulo com o mesmo título, Janeira dedica umas breves palavras a estes homens:

Vimos como o xogunato Tokugawa procurou eliminar os frutos de um século de contacto entre Portugal e o Japão, começado em 1543 e terminado em 1639 – ou talvez, mais propriamente, em 1647 –, e como depois de aberto o Japão ao segundo contacto com o Ocidente se tem desenvolvido da parte dos Japoneses uma obra notável de investigação e revivência das tradições comuns aos dois povos. As obras deixadas por portugueses que mantêm ainda validade e interesse para a cultura japonesa têm sido devotadamente estudadas e as figuras portuguesas, que em Portugal continuam esquecidas, são vivamente evocadas e publicamente consagradas no Japão. Essas figuras que pela primeira vez na História verdadeiramente contribuíram para lançar uma ponte de intelectual compreensão entre o Ocidente e o Oriente, agora erguidas em bronze nas cidades japonesas com um passado comum com Portugal, impressionam pelo seu trágico silêncio. Figuras de silêncio, porque se tornaram mudas e esquecidas, para os homens do seu país; foram levantadas do pó do olvido pelo esforço de estrangeiros de boa vontade. O peso dos séculos não lhes empanou o brilho, e a vida de esforços, de estudo, de criação, que dedicaram ao povo japonês, encontrou nos japoneses de hoje, dedicados à mesma causa do entendimento e amor entre os povos, uma admiração devotada.

Estes filhos abandonados e esquecidos da terra que os gerou são nela, mais do que em outro lugar, figuras de silêncio – aqui, em Portugal, onde nada os evoca: nem estátuas, nem palavras, nem memória. Refiro-me àqueles que verdadeiramente dedicaram a vida a espalhar no Oriente o espírito do Ocidente – Luís de Almeida, Luís Fróis, João Rodrigues, o beato Diogo de Carvalho –, que são em Portugal quase completamente ignorados. Dos restantes, uns são mais, outros menos conhecidos. S. Francisco Xavier – basco de nação e missionário ao serviço de Portugal – é venerado em todo o mundo cristão; Mendes Pinto e Wenceslau de Moraes são lidos e celebrados em Portugal, embora ao último só no Japão hajam sido publicadas as obras completas e erguidas estátuas em duas cidades; Jorge Álvares, quase desconhecido entre nós, deve a um seu conterrâneo ilustre, como ele marinheiro, espírito inquieto de múltiplos interesses intelectuais, o almirante Sarmento Rodrigues, o levantamento de uma estátua na sua terra natal e outra em Macau. Um só dos mártires portugueses no Japão, o beato Vicente de Santo António, nascido na Albufeira em 1590, submetido à tortura da água a ferver, no vulcão de Arima, e queimado vivo, com mais cinco mártires em Nagasáqui, no «Monte dos Santos», em 3 de Setembro de 1632, é celebrado na sua terra natal, que lhe ergueu uma estátua e o fez seu padroeiro.

Uma estátua é sempre uma presença estranha, como que a impor ao mundo dos vivos a voz intrusa dos mortos. A presença dos mortos não tem feições, é uma voz clara e límpida que nos fala, memória viva que nos acompanha depois da profunda contemplação de uma obra, inspiração que nos acalenta e exalta. Na nossa evocação profunda, Camões fita-nos com dois olhos brilhantes e Eça fala-nos cordialmente, como amigo esclarecido, sem a distância fria e pedante do monóculo. É por isso talvez que os japoneses, em vez de estátuas reproduzindo as feições de um jovem ou de um velho (qual a imagem de Goethe a fixar na nossa permanente evocação: a do jovem deus belo e imaturo de olhos a arder de ambição e ideal ou a do ancião pesado e de olhar profundo?), costumam evocar os seus poetas por meio de uma grande pedra de formas naturais com uma inscrição simples, erguida entre uma paisagem bela. Assim, o espírito, dissolvido na paisagem, continua vivo no ambiente de beleza natural que lhe insuflou alegrias contemplativas e inspiração criadora: é uma presença viva que nos fala, sem se destacar, hirto sobre o pedestal altivo, uma companhia doce e amiga que convida à meditação e à contemplação íntima.

Estátuas são presenças tristes. Nunca senti tristeza mais profunda do que diante das estátuas dos portugueses no Japão, que com amor e devoção ajudei a erguer. Ao contemplá-las longamente, contra o céu japonês, sós, numa avenida, num parque, num jardim ao pé de um rio de estranhos nomes, senti desolação e pena profunda por esses exilados celebrados numa terra estrangeira – e alguns deles tão esquecidos no seu próprio país, como se nunca tivessem existido.

Entre a vasta obra escultórica que Martins Correia nos legou está um busto de bronze de Armando Martins Janeira, que a filha e herdeira do artista, Elsa Martins Correia, cede à família do diplomata para que possa vir a ser exposto em espaço adequado. Nesta bela escultura não faltou a cor intensa, no caso, o verde, a contrastar com a solenidade do bronze. Este original recurso à decoração com uma ou várias cores fortes, sobretudo vermelhos, amarelos, azuis, verdes e ocres, brancos e pretos, tornou-se característico sobretudo a partir do fim da década de 1960 nas obras do Mestre Martins Correia. O busto, concebido logo no início dos anos de 1990, portanto já depois de Janeira ter falecido, espera hoje por um abrigo à altura das duas insignes personalidades que abraça: Martins Correia e Martins Janeira.

GALERIA DE IMAGENS

2010

Os Portugueses no Japão – 2.ª parte

Para assinalar os 150 anos de amizade entre Portugal e o Japão, propusemo-nos divulgar neste site novos capítulos das obras de referência de Armando Martins Janeira sobre aquele país do Oriente, que tanto fascinou o investigador. Publicamos agora a segunda parte do capítulo IV da obra O Impacto Português sobre a Civilização Japonesa, de que temos já disponíveis aqui outros capítulos. Neste texto, Armando Martins Janeira debruça-se longamente sobre as artes no Japão que mais marcadas foram pela presença portuguesa – pintura, música, arquitectura, urbanismo, tipografia e a arte do chá –, concretamente através da acção dos jesuítas, os grandes responsáveis pela chegada das ideias e ideais europeus àquelas ilhas distantes.

A Influência Portuguesa na Civilização Japonesa - Segunda Parte(PDF, 173 KB)

Leiria e Tokushima unidas pelo embaixador Armando Martins

No site do Município de Leiria é divulgada no dia 14 de Outubro uma exposição comemorativa da geminação de Leiria com Tokushima em 1969, que foi da responsabilidade de Armando Martins:

«Para comemorar o 41.º aniversário da geminação entre Leiria e Tokushima, estará patente de 15 de Outubro a 2 de Novembro, no átrio dos Paços do Concelho, em Leiria, uma exposição evocativa desta geminação.
Com peças alusivas à cultura japonesa, esta exposição é constituída por miniaturas de réplicas de palácios, um conjunto de bonecos que retratam a vida do imperador ao longo da sua vida e peças relativas à geminação entre as escolas de Cruz da Areia em Leiria e de Shimanchi em Tokushima.
A geminação entre as duas cidades foi concretizada porque nos anos sessenta Armando Martins Janeira era o embaixador português no Japão e tinha feito um trabalho sobre Wenceslau de Moraes, figura mítica para os japoneses, principalmente para os habitantes de Tokushima.
Este facto suscitou grande interesse da Prefeitura de Tokushima relativamente à geminação com uma cidade portuguesa, tendo sido escolhida a cidade de Leiria.
Ao longo dos anos têm vindo a ser estabelecidos diversos intercâmbios, principalmente de índole cultural. Espectáculos de marionetas, de dança Awa, bem como exibições da arte de manuseamento do papel (origami) e de flores (ikebana), exposições como “Viagem”, que esteve patente ao público este ano no edifício do Banco de Portugal, e espectáculos de piano e ópera têm trazido até Leiria as raízes culturais japonesas.»

Em 1969, Armando Martins estava pela segunda vez no Japão. Em 1952 fora colocado como primeiro-secretário da Legação de Tóquio, e em 1953 é encarregado de Negócios, lugar que ocupa até 1955. Em 1964 regressa a Tóquio com credenciais de embaixador, e nesse posto permanecerá até 1971.

Biógrafo de Wenceslau de Moraes, terá sido a sua admiração pela vida e obra deste homem singular, que abandona a pátria para adoptar o Japão como seu paraíso terrestre, que levou Armando Martins a eleger Tokushima como primeira cidade nipónica a ter uma irmã portuguesa. Foi em Tokushima que Wenceslau de Moraes acabou por se fixar e viver os últimos dezasseis anos da sua vida. Outras geminações se seguiriam na década de 70, na sequência da acção iniciada por Armando Martins.

De Tokushima, Armando Martins guardaria inúmeras recordações das muitas vezes que a visitou. A inauguração naquela cidade, em 1 de Julho de 1954, de um monumento a Wenceslau de Moraes seria o pretexto para Armando Martins Janeira escrever um dos seus mais belos e inspirados textos, que publicou em livro, somente em 1962, com o título Peregrino, que a Pássaro de Fogo reeditou em 2008, no âmbito da homenagem que a Câmara Municipal de Cascais prestou a Armando Martins, vinte anos após a sua morte.

Em 1954, os cem anos passados sobre o nascimento de Wenceslau de Moraes, e precisamente vinte e cinco sobre a data da sua morte, foram igualmente o ponto de partida para um outro livro que Janeira dedica inteiramente a este autor: O Jardim do Encanto Perdido, editado em 1956, é uma das mais importantes fontes de documentação para o estudo da vida e obra de Moraes.

A história de Tokushima seria referida em vários estudos que Janeira publicou sobre o Japão. Também Wenceslau de Moraes se debruçara sobre esta cidade, onde quis morrer como um oriental e de acordo com a religião budista, no seu O Bon-Odori em Tokushima. Bon significa mortos, e odori, dança. Bon-odori é o nome geral das danças dos mortos, tendo cada região um nome para a sua dança. Em Tokushima é o Awa-odori, já que Awa é o antigo nome daquela província. Como escreveu Wenceslau de Moraes nesse seu livro, «não são só as gueixas que dançam; dança meia população da cidade, incluindo também os velhos decrépitos, as velhas decrépitas, os infantes tenros; todos os vivos se divertem glorificando os mortos». O festival Awa-odori junta milhares de dançarinos que se movem harmoniosamente ao som de gongos e do compasso cadenciado de tambores, criando uma atmosfera muito especial. É uma dança muito famosa em todo o Japão.

Wenceslau de Moraes continua a ser lembrado em todo o Japão, e muito particularmente em Tokushima. Aí, no monte Bizan, foi criado um Museu de Wenceslau de Moraes.

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O embaixador grande amigo do Japão no Expresso

O semanário Expresso dedica um suplemento da sua edição de 31 de Julho aos 150 anos que passaram sobre o Tratado de Paz, Amizade e Comércio luso-nipónico. Entre os vários artigos, que na sua maioria recuam invariavelmente até ao encontro das duas culturas no séc. XVI, conta-se um apontamento sobre Janeira, com o título «O embaixador grande amigo do Japão», que alude ainda a este site:

«O embaixador Armando Martins Janeira (1914-1988) foi o responsável pelo ressurgimento dos estudos sobre as relações luso-nipónicas em Portugal. O seu livro O Impacto Português sobre a Civilização Japonesa, publicado pela primeira vez em 1970, continua a ser uma obra de referência. Dentre os seus colaboradores mais próximos, destacou-se Pedro Canavarro, que assim definiu o diplomata no prefácio à 2.ª edição do Impacto em 1988:

Armando Martins Janeira foi – sem dúvida – o português que durante este século mais viveu o Japão [...].
Armando Martins Janeira foi ao fim e ao cabo embaixador de ambos os países tanto quanto profundo conhecedor das respectivas culturas! Numa perspicácia equilibrada de quem, não sendo insensível ao futuro consubstanciado já no forte crescimento económico, político e cultural do Japão, estimula tanto quanto pode e acredita tanto quanto deve no espaço e presença portuguesa como valores actuais e actuantes para o Japão do século XXI.
Esta perspectiva de encontro actual renovado sobre o impacto passado consegue-o inteligentemente Armando Martins Janeira, descobrindo-o em si mesmo enquanto transmontano que percorreu o mundo. [...]
Percorrendo o mundo, buscando especialmente no continente asiático as fontes do seu pensar em constante projecção, ultrapassando Wenceslau de Moraes no encanto nipónico ensimesmado na tradição milenária, é Armando Martins Janeira o maior obreiro neste século da ponte a construir nesta centúria entre Portugal e o Japão.
É uma vasta arcatura que ele projecta, arrancando de ambos os lados sobre os pilares do primeiro encontro entre o Ocidente e o Oriente, revendo-se ora na terra e na água que nos colocaram face a face, ora no repensar conjunto que a aprendizagem humilde sempre implica a quem, em cada civilização, sempre encontra o necessário e o complementar do seu todo.

Pedro Canavarro, através da Fundação Passos Canavarro, em Santarém, que este ano celebra uma década de existência e de dedicação à Arte e à Ciência, também se associou às comemorações do Tratado, nomeadamente com a Semana Cultural do Japão, que decorreu de 21 a 30 de Setembro no Teatro Sá da Bandeira. De destacar no variado programa um ciclo de cinema japonês, que deu especial relevo aos cineastas Nagisa Oshima e Takeshi Kitano, bem como aos filmes de animação manga e anime.

Quando Pedro Canavarro foi enviado para o Japão em 1966 pelo Governo português, para criar o leitorado de português em Tóquio, Armando Martins era então embaixador de Portugal nesse país asiático. A relação de amizade que se estabeleceu entre os dois orientalistas cimentou-se através de inúmeras iniciativas culturais no Japão, que contribuíram para a promoção e a aproximação dos dois países, e culminou na fundação, em 1970, quando ambos regressaram ao seu país, da Associação de Amizade Portugal-Japão.

Cerimónia do Chá em Lisboa

O Museu Nacional do Azulejo, em Lisboa, abriu as suas portas no dia 21 de Julho a uma demonstração de Cha-no-yu, ou cerimónia do chá, pelo japonês Sen Soshitsu XVI, grão-mestre da Casa Urasenke.

Esta arte é um tema que Armando Martins Janeira aborda com especial sentimento no seu livro Figuras de Silêncio no capítulo dedicado à cidade japonesa de Sakai, a que dá o título de «A Cidade do Chá e da Cruz». Segundo Janeira, a cerimónia do chá é «o sumo primor de cortesia e convívio social de todo um povo altamente educado». Explica ele que «o maior de todos os mestres de chá, Sen Rikyu, que fixou as regras, consagradas depois pela prática de quatro séculos, foi amigo dos missionários em Quioto e tomou vários elementos da liturgia católica para enriquecer a cerimónia do chá. Esta surpreendente influência na mais nipónica de todas as artes pode dar ideia do prestígio que os Portugueses conquistaram no País do Sol Nascente». Aproveitando uma sua visita a Sakai, Armando Martins Janeira descreve em Figuras de Silêncio a cerimónia do chá em que então tomou parte, que classifica de difícil e quase religiosa. Já antes outros escritores portugueses se tinham debruçado sobre o cha-no-yu. Wenceslau de Moraes dedicou-lhe mesmo um livro inteiro, O Culto do Chá, que, segundo Janeira, também autor do prefácio da segunda edição, «transmite com felicidade a sua poesia, mas não chega a descrever a cerimónia». Já João Rodrigues, «que vai ao fundo de tudo», quando escreve sobre a cerimónia, «faz uma descrição sociológica pormenorizada e bastante seca, deixando de fora os seus lados poético e místico».

Na cerimónia que teve lugar em Lisboa, inserida nas celebrações do Tratado de Paz, Amizade e Comércio de 1860 entre Portugal e o Japão, esteve presente a família de Martins, que no Japão conhecera o pai do iemoto, ou grão-mestre, Sen Soshitsu XVI. Para saber mais sobre a cerimónia e a tradição do chá na família Urasenke, sugerimos-lhe que consulte o site da Casa Urasenke. Logo na sua Introdução, pode ler-se uma pequena e curiosa história sobre o difícil Caminho do Chá. Conta-se que a Sen Rikyu lhe foi um dia pedido que explicasse o que esse Caminho implicava. «Ele respondeu que era apenas necessário que sete regras fossem observadas: Fazer uma substancial tigela de chá; Colocar o carvão de forma a que a água ferva eficientemente; Proporcionar uma sensação de calor no Inverno e de frescura no Verão; Arranjar as flores como se estivessem no campo; Estar pronto antes do tempo; Estar preparado para o caso de chover; Agir com a máxima consideração para com os seus convidados.

»De acordo com a famosa história que conta o diálogo entre Rikyu e o seu interlocutor, este ficou vexado com a resposta de Rikyu e disse-lhe que aquelas eram regras a que qualquer um seria capaz de obedecer. A isto Rikyu respondeu que se tornaria discípulo da pessoa que a elas conseguisse então obedecer sem falhas.

»Esta história diz-nos que o Caminho do Chá tem basicamente a ver com actividades que fazem parte da vida do dia-a-dia, embora dominá-las requeira uma grande preparação. Neste sentido, o Caminho do Chá pode ser descrito como a Arte de Viver. [...] Os princípios subjacentes a esta Arte de Viver são a Harmonia, o Respeito, a Pureza e a Tranquilidade. Estes são princípios universais que, num mundo como o nosso, actualmente cheio de inquietações, discórdia, egoísmo e outros males sociais, pode guiar-nos na direcção da paz verdadeira.»

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A Cidade do Chá e da Cruz(PDF, 96 KB)

Prefácio de Armando Martins Janeira para O Culto do Chá de Wenceslau de Moraes(PDF, 93 KB)

Os Portugueses no Japão

No ano em que as comemorações dos 150 anos de amizade entre Portugal e o Japão se vão multiplicando, parece-nos oportuno relevar uma das obras mais importantes em língua portuguesa sobre a história desse relacionamento: referimo-nos a O Impacto Português sobre a Civilização Japonesa de Armando Martins Janeira. Já aqui tínhamos disponíveis alguns dos capítulos desta obra, e acrescentamos agora a primeira parte do capítulo IV que Janeira dedica especificamente à influência portuguesa no Japão. Debruçando-se num primeiro momento sobre o impacto que os portugueses tiveram sobre os intelectuais japoneses, desde a sua chegada a solo nipónico no séc. XVI até à data da abertura definitiva do Japão ao Ocidente, Armando Martins Janeira demora-se a seguir sobre a influência portuguesa nas ciências e nas artes. A extensa parte relativa às artes estará disponível neste site em Novembro.

A Influência Portuguesa na Civilização Japonesa - Primeira Parte(PDF, 188 KB)

Teatro japonês com 650 anos chega a Lisboa

O teatro clássico japonês Nô, ou Noh, marcou presença em Lisboa, no Museu do Oriente, nas noites de 22 e 23 de Abril. Com um programa diferente para cada noite, a escola Kongo, que figura entre as cinco principais do teatro Nô, deu a conhecer ao público português as peças Yuki (A Neve), uma das obras-primas deste teatro, e Maki-ginu (Os Rolos de Seda). Além do teatro Nô, foram representadas Kyogen, peças curtas, de cariz popular, e geralmente satíricas. Esta iniciativa inseriu-se nas celebrações dos 150 anos do Tratado de Paz, Amizade e Comércio entre Portugal e o Japão.

O Nô, hoje aclamado internacionalmente, surge em meados do séc. XIV, e as suas regras são fixadas pelo actor Kanami e pelo seu filho, Zeami. A esta arte japonesa, considerada Património da Humanidade pela UNESCO, dedicou Armando Martins Janeira um livro, Nô, Teatro Lírico Japonês, publicado em 1954. Curiosamente, uma das peças que Janeira traduz e inclui nesta sua obra é Yuki, a que deu o título de O Espírito da Neve, que aqui disponibilizamos. A tradução desta e de mais duas peças do teatro Nô que Armando Martins Janeira apresenta neste seu livro é precedida de um longo e exaustivo prefácio sobre o aparecimento e o desenvolvimento do Nô, e sobretudo sobre a poesia que perpassa todas estas composições. Esse prefácio seria anos mais tarde recuperado e aperfeiçoado pelo autor e incluído num dos seus trabalhos mais singulares: O Teatro de Gil Vicente e o Teatro Clássico Japonês.

O Espírito da Neve(PDF, 79 KB)

Portugal e o Japão de 1955

O Tratado de Paz, Amizade e Comércio entre Portugal e o Japão, assinado em 1860, e outros tratados que a História revelou mais ou menos importantes para a abertura da nação japonesa ao Ocidente, foram alvo, por parte de Armando Martins Janeira, de uma larga análise, agora disponível neste site. Publicados em 1955 em Portugal e o Japão, os textos desses tratados são precedidos então do primeiro estudo importante de Janeira sobre as relações históricas e económicas entre o Japão e os países que nele penetraram, através quer do comércio, quer da obra dos jesuítas. Este trabalho delineia já as bases em que, 15 anos mais tarde, Armando Martins Janeira alicerçaria o seu O Impacto Português sobre a Civilização Japonesa. É, aliás, a esta obra que daremos especial relevo no mês de Julho, através da publicação de novos capítulos neste site.

O Tratado de 1860

A partir de Abril, leia aqui o texto integral do Tratado de Paz, Amizade e Comércio entre Portugal e o Japão, celebrado em 1860, e que Armando Martins Janeira reproduziu no seu livro Portugal e o Japão. Assinado em Yedo, ou Edo, antigo nome da capital nipónica, o tratado contempla a abertura dos principais portos do Japão ao comércio com os portugueses, e estabelece deveres, direitos e liberdades entre os cidadãos dos dois países.

Em Maio disponibilizaremos neste site o estudo de que Armando Martins Janeira faz anteceder este e outros tratados que abriram o Japão ao Ocidente no seu Portugal e o Japão de 1955.

Tratado de 1860 entre Portugal e o Japão(PDF, 96 KB)

Mais livros, mais novidades

Para alargarmos o âmbito deste site, e podermos também continuar a reproduzir novos textos, optámos por publicar aqui a bibliografia completa de Armando Martins Janeira, em substituição da lista das suas obras principais, que inicialmente oferecíamos. Não se incluem contudo nesta bibliografia os inúmeros artigos que Janeira escreveu para jornais, bem como os seus inéditos, dos quais oportunamente nos ocuparemos.

O último Japão de Armando Martins Janeira

Neste ano em que comemoramos a amizade e a paz assinadas entre Portugal e o Japão em 1860, reproduziremos aqui essencialmente novos trabalhos e novos capítulos das obras em que Armando Martins Janeira se debruça sobre o caminho histórico e económico do Japão e a sua relação com os Portugueses, desde o seu desembarque em terras nipónicas no séc. XVI.

Assim, abrimos o ano com a apresentação do último livro de Janeira, Japão, A Construção de Um País Moderno, que nos dá conta de como o Japão, um país atrasado há pouco mais de um século, se transforma na nação mais progressiva do mundo. Em 1985, data da publicação deste livro, Janeira aponta o Japão como o exemplo que Portugal deveria seguir. Este estudo poderá pois formar, com O Impacto Português sobre a Civilização Japonesa, publicado pela primeira vez em 1970, e Figuras de Silêncio, com edição de 1981, uma trilogia que Armando Martins Janeira dedicou ao país onde passou os anos mais felizes da sua vida – o Japão –, e a qual evidenciaremos em 2010.

2010 relembra amizade entre Portugal e o Japão

Em 2010 completam-se 150 anos sobre a assinatura do Tratado de Paz, Amizade e Comércio entre Portugal e o Japão, assinado em Edo no dia 3 de Agosto de 1860. São inúmeras as instituições, organizações e particulares que ao longo de todo este ano irão dar vida a uma série de iniciativas que celebrarão o tratado. A Embaixada do Japão em Portugal disponibiliza no seu site um alargado e detalhado calendário desses eventos.

Armando Martins Janeira dedicou muito estudo ao Japão, e um dos seus primeiros trabalhos – Portugal e o Japão –, publicado em 1955, debruça-se precisamente sobre este e outros tratados importantes na história da abertura do Japão ao Ocidente. Disponibilizaremos em breve neste site parte dessa obra, que inclui o texto integral do tratado que este ano evocamos, o qual aqui também reproduziremos.

2009

Número 4 da Revista Campos Monteiro sai em Dezembro

Realizou-se no dia 12 de Dezembro o lançamento do 4.º número da Revista Campos Monteiro, que inclui um estudo de Paula Mateus sobre «A Poesia e o Mistério em Armando Martins Janeira». A sessão teve lugar na Academia Moreira da Silva, no Porto, contando-se entre os presentes vários colaboradores da revista, alguns deles antigos alunos do Colégio Campos Monteiro de Torre de Moncorvo. A apresentação deste número esteve a cargo da investigadora e poetisa Maria da Assunção Carqueja Rodrigues.

Paula Mateus, A Poesia e o Mistério em Armando Martins Janeira(PDF, 104 KB)

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Armando Martins Janeira na Revista Campos Monteiro

Entre os vários artigos publicados neste 4.º número da Revista Campos Monteiro conta-se um estudo sobre A Poesia e o Mistério em Armando Martins Janeira, da autoria de Paula Mateus. No seu número anterior, de 2008, Ramiro Manuel Salgado, que integra o Conselho Editorial da revista, também se debruçara sobre a personalidade de Armando Martins, traçando uma sua breve biografia. Ramiro Manuel Salgado é filho do insigne moncorvense Ramiro Salgado (1902-1974), que se notabilizou como professor e educador e fundou o prestigiado Colégio Campos Monteiro de Torre de Moncorvo, que dá agora nome a esta publicação cultural. Foi, aliás, no Colégio Campos Monteiro que Armando Martins leccionou logo após ter terminado os seus estudos, antes de optar pela carreira diplomática.

Adília Fernandes, directora e organizadora da Revista Campos Monteiro, assinou em 2005, com José Alfredo Sousa, o editorial do número especial evocativo da comemoração do cinquentenário da fundação do colégio em 1936/37, que resume o objectivo inicial deste projecto:

Após a comemoração do cinquentenário do Colégio Campos Monteiro, em 1987, três amigos – Quim Simões, Zé Alfredo e Emílio Guerra – foram movidos pelo propósito de elaborar um jornal evocativo dessa cerimónia. Todavia, e apesar dos passos que deram nesse sentido, tal propósito não se mostrou, no momento, realizável. […]
Em Maio de 2004, aquando do nosso último encontro, foi feita uma sugestão idêntica, isto é, a criação de um boletim que resultasse da colaboração dos antigos alunos.
Esta Revista surge no seguimento de ambas as propostas e consubstancia a concretização do sonho daqueles amigos, pois apresenta-se fiel ao seu projecto: integra o material por eles seleccionado bem como os registos dos que partilhavam do seu entusiasmo, e a disposição gráfica por eles planeada respeita, na essência, a orientação que lhe pretendiam dar.

Depois deste número especial e do n.º 1, a Revista, que segundo Adília Fernandes se tinha até então «pautado por um certo pendor historicista em torno da temática circunscrita ao Colégio Campos Monteiro, tanto na internalidade da sua acção escolar, como na contextualização sócio-comunitária», viu chegada a hora de «desvendar diferentes caminhos e abrir as suas páginas a outros interessados». Em 2007 surge então o seu n.º 2, com uma apresentação gráfica diferente, em termos de formato e design da capa e do interior, mas sobretudo com horizontes alargados. Lê-se no seu editorial: «Esta publicação, que inicia um novo ciclo organizativo, deve simbolizar a mudança que reclama, de nós, uma actuação mais crítica e integradora, mais actual, dinâmica e impulsionadora. Inscrever-nos-emos melhor, assim, entre referências e memória, num universo com o qual continuamos, em grande medida, a identificar-nos.»

Além dos nomes já referidos, a Revista Campos Monteiro tem contado com a colaboração de Adriano Vasco Rodrigues, António Pimenta de Castro, Carlos d’Abreu, Carlos Prada de Oliveira, Carlos Sambade, Carmo Simões, Graça Abranches, José Sendas, Júlia Guarda Ribeiro, Luís Lopes, Maria da Assunção Carqueja, Maria da Conceição Salgado, Maria Helena Alvim, Maria Ivone da Paz Soares, Maria Norberta Amorim, Maria Otília Pereira Lage, Norberto Ferreira da Cunha, Paulo Cordeiro Salgado, Ricardo Silva e Virgílio Tavares.

Há semelhanças entre o teatro de Gil Vicente e o teatro clássico japonês?

A partir de Outubro, consulte aqui alguns capítulos da obra O Teatro de Gil Vicente e o Teatro Clássico Japonês, publicado em 1967 pela Portugália Editora, em que Janeira mostra de que forma a dramaturgia de Gil Vicente se aproxima do teatro clássico no Japão. Neste ensaio, o autor inclui ainda uma versão revista e alargada de Nô, Teatro Lírico Japonês de 1954.

Ou A Busca do Homem Universal até finais de Outubro

Até ao fim do mês de Outubro estará patente ao público em Torre de Moncorvo, no seu Centro de Memória, a exposição Armando Martins Janeira ou A Busca do Homem Universal, que se inaugurou no dia 29 de Agosto, como aqui divulgámos. Além de objectos que fizeram parte da mostra no ano passado na Biblioteca Municipal de Cascais - São Domingos de Rana, encontra-se nesta nova iniciativa da Câmara Municipal de Torre Moncorvo outro acervo recolhido por Armando Martins Janeira e que a sua viúva doou ao Município. A exposição pretende mostrar Janeira como homem do mundo e homem da terra, transmontana, cujas raízes levou a todos os destinos da sua vida.

Guia da Exposição(PDF, 4.8 MB)

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Ou A Busca do Homem Universal em Moncorvo

No dia 1 de Setembro completam-se 95 anos sobre o nascimento de Armando Martins Janeira. Torre de Moncorvo, sua terra natal, presta-lhe mais uma homenagem com a exposição Armando Martins Janeira ou A Busca do Homem Universal que se inaugura no dia 29 de Agosto, sábado, pelas 11h, no Centro de Memória de Torre de Moncorvo, na Rua Visconde de Vila Maior.

Japanese and Western Literature on-line

A partir de Março, pode ler neste site alguns capítulos de Japanese and Western Literature, a Comparative Study, obra que Armando Martins Janeira escreveu em inglês e que em 1970, data da sua publicação, colheu o aplauso da imprensa internacional.

Em Abril, teremos disponíveis algumas das páginas deste site em inglês.

Novos capítulos de Figuras de Silêncio

Em Janeiro, pode consultar neste site novos capítulos de Figuras de Silêncio, uma das obras mais importantes na bibliografia de Armando Martins Janeira. Em breve estarão igualmente disponíveis capítulos de Japanese and Western Literature, a Comparative Study, publicado em 1970 e posteriormente traduzido para japonês.

2008

Disponíveis novos textos de Armando Martins Janeira para consulta neste site

Novos capítulos de livros assinados por Armando Martins Janeira serão acrescentados a este site regularmente. Assim, desde Novembro, pode consultar parte de uma das obras de referência deste autor, O Impacto Português sobre a Civilização Japonesa.

Associação de Amizade Portugal-Japão lembra Armando Martins Janeira

No dia 6 de Outubro inaugurou na Sociedade de Geografia de Lisboa a exposição Armando Martins Janeira, Vidas que Valem a Pena, promovida pela Associação de Amizade Portugal-Japão.

Nesse dia realizou-se também uma mesa-redonda em torno da personalidade e obra do Embaixador, 20 anos após a sua morte, com a participação de Ingrid Bloser Martins, viúva de Janeira, Ana Beatriz Martins, filha de Janeira, Pedro Canavarro, José de Melo Gouveia, José Paulouro das Neves e Jorge de Lemos Godinho.

Cascais evoca Armando Martins Janeira, 20 anos após a sua morte,
de 6 de Setembro a 4 de Outubro

EXPOSIÇÃO

Catálogo da Exposição (PDF)

No dia 6 de Setembro inaugurou a exposição Armando Martins Janeira, Peregrino, na Biblioteca de Cascais-São Domingos de Rana. A exposição esteve patente ao público até 4 de Outubro.

Incluía os seguintes núcleos:

  • Documentação literária e diplomática de Armando Martins Janeira
  • Armando Martins Janeira
  • Caminhos da Terra Florida
  • Wenceslau de Moraes
  • Cha-no-yu (Cerimónia do chá)
  • Namban + Cortejo namban
  • Momotaro
  • Ukiyo-e

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CONCERTO

O duo Kasutera de Miguel Leiria Pereira (contrabaixo) e Teppe Watanabe (guitarra) deu um concerto na tarde da inauguração da exposição.

Interpretaram temas do Japão:

  • Kojo no tsuki - Rentarô Taki
  • Aka  tonbo - Yamada Kosaku
  • Akai Kutsu - Motoori Nagayo
  • Aoi me no ningyo - Motoori Nagayo
  • Sakura - Canção Tradicional Japonesa
  • Furusato - Okano Teiichi
  • Kokiriko-bushi - Canção Folclórica Japonesa de Toyama
  • Toryanse - Canção Tradicional Japonesa
  • Komuri-uta - Canção Tradicional Japonesa

e temas de Teppe Watanabe:

  • Brasil
  • Amor sem Medo
  • Lisbossa
  • Valsa N.º 3
  • Verdes anos - Carlos Paredes / Arr. Teppe Watanabe

CONFERÊNCIAS

No âmbito da exposição Armando Martins Janeira, Peregrino, fez-se um breve ciclo de conferências na Biblioteca de Cascais-São Domingos de Rana:

18 de Setembro de 2008 / 21h
Orador: António Graça de Abreu
Tema: Armando Martins Janeira – entender o Japão, descobrir a China

25 de Setembro de 2008 / 21h
Orador: Eugénio Lisboa
Tema: Armando Martins Janeira: memórias de uma amizade profissional vivida numa embaixada

2 de Outubro de 2008 / 21h
Orador: António Dias Farinha
Tema: Armando Martins Janeira no mundo luso-oriental

LANÇAMENTO DE PEREGRINO

A 4 de Outubro, dia de encerramento da exposição Armando Martins Janeira, Peregrino, foi reeditado pela Pássaro de Fogo, com o apoio da Câmara Municipal de Cascais, o livro Peregrino, de Armando Martins Janeira, na Biblioteca de Cascais-São Domingos de Rana.

“Colecção Beatriz Martins Janeiro” de bonecos japoneses
mostra-se por todo o país

24 de Julho-24 de Agosto

Exposição de Bonecos Japoneses em Aveiro, coordenada por Maria Helena Castro, inserida nos 30 anos da geminação Aveiro-Oita. A mostra, que decorreu no Salão Nobre do Teatro Aveirense, foi uma cedência da colecção particular da embaixatriz Ingrid Bloser Martins, em conjunto com a Embaixada do Japão e o Museu do Brinquedo de Sintra-“Colecção Beatriz Martins Janeiro”.

O Município de Aveiro reuniu-se com a Cidade de Oita para continuar a promover a cooperação que tem marcado esta relação de amizade. O Acordo de Geminação foi assinado em 10 de Outubro de 1978 que adicionou uma nova página na relação histórica entre Portugal e Japão. Durante 30 anos, as duas cidades promoveram o intercâmbio cultural, artístico, médico e social, aproximando e aprofundando os laços de amizade que as unem.

9-31 de Maio

“Histórias do País Onde Nasce o Sol” - Exposição de Bonecos Japoneses da “Colecção Beatriz Martins Janeiro”, no Porto, coordenada por Maria Helena Castro, inserida nas comemorações dos 30 anos da geminação Porto-Nagasáqui. A exposição decorreu na Biblioteca Municipal Almeida Garrett, com a colaboração da Embaixada do Japão, e dividia-se em três núcleos:

  • Encontro Portugal-Japão;
  • Significado de ningyo (boneco em japonês) e bonecos talismânicos, que estiveram expostos e exemplificavam essa significação;
  • Contos e lendas infantis

11 de Fevereiro-11 de Março

Exposição de Bonecos Tradicionais Japoneses em Grândola, coordenada por Maria Helena Castro. A exposição teve lugar na Biblioteca Municipal de Grândola e inseria-se na iniciativa Luzes do Sol Nascente, organizada pela Câmara Municipal/Biblioteca Municipal de Grândola e pela Escola Básica Integrada D. Jorge de Lencastre. Os bonecos expostos pertencem à “Colecção Beatriz Martins Janeiro”, organizada por Armando Martins Janeira e sua mulher, Ingrid Bloser Martins, e por esta doada em 1999 ao Museu do Brinquedo de Sintra. Esta exposição contou ainda com a colaboração da Embaixada do Japão.

Inauguração do Centro de Memória e Fundo do Embaixador
Armando Martins Janeira em Torre de Moncorvo

No dia 1 de Março, foi inaugurado o Centro de Memória e Fundo dedicado a Armando Martins Janeira. O Centro, na terra natal de Janeira, engloba o seu espólio de objectos e a sua biblioteca pessoal, doados pelos seus herdeiros.

2007

450 Anos de Medicina Ocidental no Japão

Celebram-se neste ano os 450 anos da abertura do primeiro hospital de medicina ocidental no Japão, em Oita. O responsável foi o médico missionário português Luís de Almeida.

A Associação de Amizade Portugal-Japão comemorou a vida e a obra de Luís de Almeida em colaboração com a Ordem dos Médicos.

Armando Martins Janeira dedicou a Luís de Almeida páginas de Figuras de Silêncio e O Impacto Português sobre a Civilização Japonesa, os seus dois mais importantes trabalhos sobre a acção dos Portugueses no Japão.

2005

Editora Pássaro de Fogo publica peça inédita de Armando Martins Janeira no Ano Inesiano

No âmbito das comemorações dos 650 Anos da Morte de Inês de Castro, a Câmara Municipal de Cascais e a editora Pássaro de Fogo promoveram no dia 22 de Novembro, no Museu Condes de Castro Guimarães, o lançamento da obra Linda Inês ou o Grande Desvairo, da autoria de Armando Martins Janeira.

O livro foi apresentado por Maria Leonor Machado de Sousa, autora do prefácio. A sessão de apresentação contou ainda com a presença de Ingrid Martins, viúva do escritor e diplomata, do pintor Paulo Ossião, responsável pela ilustração do livro, de José Miguel Júdice e de Jorge Pereira Sampaio, respectivamente Comissário-Geral e Programador-Geral das comemorações deste Ano Inesiano.

Durante a sessão, actores do TEC-Teatro Experimental de Cascais fizeram uma leitura dramatizada de cenas da peça.

2004

Encerramento das comemorações do 150º Aniversário do Nascimento de Wenceslau de Moraes

A encerrar as comemorações do 150º Aniversário do Nascimento de Wenceslau de Moraes, a Câmara Municipal de Cascais organizou duas iniciativas:

- o Duo Ni-Toki apresentou-se no Auditório do Centro Cultural de Cascais, no dia 28 de Setembro, pelas 21H30. O Duo Ni-Toki, formado por dois pianistas, Yuki Rodrigues e Helder Marques, interpretou um programa para piano a quatro mãos, composto por peças musicais clássicas, baseadas em temas populares, portugueses e japoneses, bem como uma obra inédita, de um compositor português contemporâneo de Wenceslau de Moraes.

- no dia 30 de Setembro, pelas 21h30, no Espaço Memória dos Exílios, foi lançado o livro Wenceslau de Moraes, intérprete português do Japão - Armando Martins Janeira, biógrafo, uma viagem por fotos e textos, que fizeram a vida e a obra dos dois escritores, seleccionados e comentados por Paula Mateus.

Ingrid Bloser Martins fala de Armando Martins Janeira e de Wenceslau de Moraes no Estoril

No âmbito das comemorações dos 150 anos do nascimento de Wenceslau de Moraes, a Câmara Municipal de Cascais promoveu uma conferência intitulada Portugal e o Japão: Wenceslau de Moraes e Armando Martins Janeira, duas personalidades humanas diferentes”, proferida pela Embaixatriz Ingrid Bloser Martins, que teve lugar no dia 10 de Setembro, pelas 21h30, no Espaço Memória dos Exílios, no Estoril.

Espaço Memória dos Exílios, no Estoril, recebe Exposição Comemorativa dos 150 Anos do Nascimento de Wenceslau de Moraes

“Armando Martins Janeira nos 150 anos de Wenceslau de Moraes” – assim se intitulava a exposição comemorativa que esteve patente ao público, no Espaço Memória dos Exílios, no Estoril, de 12 de Julho a 30 de Setembro.

A parceria da Autarquia de Cascais neste projecto do Instituto Camões fez-se através da figura do Embaixador Armando Martins Janeira, que residiu no Estoril até ao seu falecimento, e cuja documentação foi depositada no Arquivo Histórico Municipal, por decisão de sua família, no ano de 1993.

Esta exposição procurou cruzar as proximidades entre estes dois homens, visto que Martins Janeira, para além de ter sido o maior biógrafo de Wenceslau de Moraes, foi também diplomata creditado no Japão. Aos dezoito painéis itinerantes da responsabilidade do Instituto Camões, ilustrando a vida e a obra de Moraes, associou-se uma selecção documental e de objectos do espólio do Embaixador Martins Janeira, a cargo de Ingrid Bloser Martins e da Câmara Municipal de Cascais.